sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CATEQUESE E FÉRIAS


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Anime - Orkut




Sempre eu levava as crianças na catequese da
igreja. Nunca descuidei da parte religiosa.
Nesse mesmo ano nas férias fui com as crianças
para Goiânia, na casa dos meus
pais. Uma vez viajamos de trem. Lá fiz o
aniversário de dois aninhos da Denise; comprei
da minha irmã Vânia, uma capa de crochê com
chapeuzinho vermelho.

Acabou as férias, e comecei a luta das aulas.
Além de professora, fazia tudo em casa.
Enfrentando tudo com ânimo e não descuidando
dos filhos e do querido esposo.

Nunca esqueci da amiga e comadre Rosana, que
sempre me ajudou em todos os momentos.

Em 1979, o Beto já trabalhava na prefeitura
de Vianópolis.

***MINHA HISTÓRIA, Ana Maria Gonçalves,
personagem da história foi mudado o nome***

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

PALAVRAS E CONSTRUÇÃO


Tenho lembranças das palavras erradas que
meus filhos balbuciavam. O Wagner dizia:
"Canta Domar: as pernas da Maria Carolina
não são grossas e não são finas. Domar,
eu vou cantar: abre essas portas que lá
já vem Jesus, morto e cansado com o peso
da cruz". Foi gravado essa brincadeira
pela sua madrinha Célia. Como ele gostava
demais da vovó Totó, sempre a imitava
dizendo: "mamãe traz o cabeceiro que vou
dormir"; era o travesseiro.

Já o Lindomar dizia: "quero tamambá, já
tomambei, traz a chugaia, tô cum fio". E
mais, "ti alúde pode í qui eu vijo".

A Denise dizia: "salúde (saúde); rerrado
(errado); lisca a telisão (liga a televisão),
laranjeira (lancheira).

Em 1979, construimos um barraco onde
morávamos e éramos felizes. O Wagner com
11 anos ajudava o pai carregando tijolos
e tirando água da cisterna. Conseguimos
levantar o barraco e mudamos sem reboque
nas paredes, pelo menos saímos do aluguel.

Para comprar esse lote tive que vender a
geladeira que havia comprado e pago apenas
quatro prestações; mas estava tudo bem.

***MINHA HISTÓRIA, Ana Maria Gonçalves***

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A ARTE DE SER FELIZ


Recados e Imagens - Felicidade - Orkut




Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase
seco. Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas
todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, já atirando com as mãos
gotas de água sobre as plantas.

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão
ritual, para que o jardim não morresse. E eu
olhava para as plantas, para o homem, para
as gotas de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava completamente
feliz. Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes encontro
nuvens espessas.

Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como
refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às vezes, um
galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo
está certo, no seu lugar, cumprindo
o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz. Mas,
quando falo dessas pequenas felicidades
certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas
janelas, e outros, finalmente, que é
preciso aprender a olhar, para poder
vê-las assim.

"""Cecília Meireles"""

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MUDANÇA E NASCIMENTO DA MINHA FILHA


Em 1974, meu irmão Elson morando em Vianópolis,
soube das dificuldades que passávamos, convidou
o Beto para ir trabalhar lá. Imediatamente
aceitou, ficando um mês; começou a trabalhar
com o Sr. Geraldo. Alugou dois cômodos e
buscou nossa mudança. Quase não tínhamos nada
o que levar.
Fui removida para a Escola Estadual Americano
do Brasil. Também continuei cursando a oitava
série. Terminei o ginásio em 1975.

Em 1977, grávida pela quinta vez e cursando o
Magistério, nasce minha filhinha, minha
princesa, Denise. Eu a amamentava, portanto a
levava comigo para o colégio.

Ainda levávamos vida difícil, mas conseguimos
possuir um carro velho.

Em 1978 encerrei meu curso.
Sentia-me realizada, pois existia amor e
companheirismo; sentávamos nas noites e
namorávamos.

Com meus filhos, a razão do meu viver. E com
a chegada da minha menininha, os irmãozinhos
também adoraram, porque era só ela de garotinha
na casa; seu pai maravilhou-se, era nossa
verdadeira alegria.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves.
Houve mudança em nome de personagens.***

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ELEANOR E A BOLSA


Recados e Imagens - Anime - Orkut




Eleanor encontra uma bolsa com trezentos dólares.
Seu primeiro impulso é guardá-la. Considera-se
uma moça de sorte e não tira da cabeça as
inúmeras coisas que pode adquirir com o dinheiro.
Isto nada mais é do que o inconsciente de Eleanor
trabalhando. A tentação de ajudarmos nosso
sentido de segurança à custa de alguém é
encontrada em todos nós; é uma manifestação do
nosso instinto de autopreservação. Mas Eleanor
sente-se atormentada pela sua consciência que lhe
murmura aos ouvidos:

"Você precisa devolver a bolsa ao verdadeiro dono.
O seu nome e endereço estão escritos na Carteira
de Identidade. Como se sentiria se fosse você
quem tivesse perdido esta quantia!!! Você
poderia ser feliz sabendo que quem perdeu a bolsa
está condenada a sofrer as consequências desse
transtorno!!!"

Apesar das dores na consciência, contudo, Eleanor
decide guardar a bolsa e gasta o dinheiro em
roupas e frivolidades, desconhecendo o preço que
terá de pagar pela desonestidade. Seu senso de
culpa principia por demonstrar-se na forma de
enxaquecas. Eleanor, porém, jamais suspeitaria
de uma conexão entre seus sintomas e a guarda
da bolsa.

Irônicamente ela descobre que, indo de médico
a médico em busca da causa-raiz das suas dores
de cabeça, despenderá importância maior do que
a que encontrara. Esta é a maneira pela qual a
mente trabalha em milhares de casos de
desordens neuróticas.

"Livro, Ajuda-te pela Psiquiatria!
por Dr. Frank S. Caprio, M.D.
Psiquiatra e Psicanalista. p.31"

domingo, 26 de outubro de 2008

TRABALHANDO E DEDICANDO


Em 1972, comecei a lecionar na Escola Reunida
"Graciano José da Silva", a mesma que estudei
quando criança. Não consegui contrato e recebi
pela prefeitura de Silvânia, com o prefeito
José Denisson. Dava aulas para segurar vaga
no trabalho; assim o tempo foi passando;
quando em 1973, com esforço do meu irmão Elson,
que era professor, e sempre via que eu tinha
vocação para ser educadora, conseguiu meu
contrato. Eu já estava com 23 anos de idade.

Tendo ao meu lado meus dois filhos e esposo.
Sempre dedicando-me aos estudos em minha casa,
pois ainda não havia feito o curso ginasial.
Nunca deixei de lado a procura de novos
conhecimentos que sempre me fez bem.

Tínhamos uma televisão preto e branco, bem velha,
com a imagem muito apagada; mas divertia apesar
de toda situação precária que vivíamos.

Quantas vezes eu comprava o que comer no armazém
do Sr. Jaime, e descontava nas aulas que eu
ministrava a seus netos; mas me sentia feliz e
amada.

***Minha História: Ana Maria Gonçalves***

sábado, 25 de outubro de 2008

VIDA DIFÍCIL


Recados e Imagens - Filhos - Orkut




Passamos muitas dificuldades, tinha dia que não
tínhamos o que comer. Recebíamos ajuda dos pais
do Beto e também dos meus pais. Nessa época
papai era padeiro. Todos os dias meu filho
Wagner com apenas 4 anos, subia em uma rua
comprida até à padaria para buscar pão para
ele e para o seu maninho Lindomar com 2 aninhos.

Passava na casa da vovó Totó (Otacília), e comia
o seu pedaço com a garapa que ela preparava num
copão azul esmaltado.
Depois voltava para casa e falava:
- Toma, Domar, esse é seu.

Eu ficava olhando tudo aquilo, cortava o coração.
Mas ainda me confortava, porque vivia com meu
esposo e filhos.
Ainda com dificuldades fomos morar em dois
cômodos na casa do papai. Eu cozinhava numa
casa de cisterna, num fogão caipira improvisado.
O Beto fazia entrega de creme de leite. Lembro-
me bem, que faltava óleo para cozinhar, eu
pegava creme e batia fazendo manteiga de leite;
fritava para fazer comida para os filhos.

Em 1972, comecei a dar aulas particulares na
minha casa para vários alunos, lembro-me bem dos
filhos da Cecília e Jaiminho.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves,
como sempre alguns personagens mudei nomes***

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CASAMENTO E FILHOS


Um acontecimento. No dia 20 de novembro de 1966,
às 14:00 horas na capela de São Miguel, em
Passa Quatro, foi realizado o meu enlace
matrimonial com Beto. Teve como celebrante o
Padre Leal. E como testemunhas: Ubaldo, Ivêda,
Elson e Lourdes.

Casei-me muito inexperiente da vida conjugal.
Com 18 anos, no ano de 1968, no dia primeiro de
fevereiro, nasceu meu primeiro fruto; meu filho,
Wagner Luís. Sentimos muito felizes, era um
garoto lindo que chegava para unir o meu
relacionamento. Com pouca experiência, mais
fazia tudo para ser a melhor mãe do mundo.

Em 1969, nasceu meu segundo filho, demos o nome
do pai, "Roberto". Mas não foi possível sua
sobrevivência.

Em 1970, nasceu o terceiro filho, terceiro
fruto; seu nome, Lindomar José.
Essa gravidez foi muito resguardada, todo
cuidado era pouco. Era uma linda criança,
reforçava minha vida conjugal.

Em 1972, nasceu meu quarto filho, e não
sobreviveu.

***Minha História: Ana Maria Gonçalves,
alguns personagens mudei os nomes, motivo
simples.***

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

CASAS PRECÁRIAS


34,5% DOS BRASILEIROS VIVEM EM CASAS PRECÁRIAS:

Em Goiânia, Goiás, há 22 anos, a auxiliar de cozinha
Cecília Nascimento faz parte de um grupo formado por
34,5% da população brasileira que mora em condições
precárias. O dado foi extraído da pesquisa de 2007
do IBGE e divulgado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea).

Desempregada há um mês, Cecília, de 46 anos, mora em
um barracão de quatro cômodos, com o filho Fabiano,
de 25, que é catador de papel. O imóvel tem um
quarto - que mãe e filho dividem -, sala, cozinha
e banheiro. A cobertura é de telha de amianto,
antiga e danificada. O barracão foi construído em
área invadida há três décadas na divisa do Parque
Amazônia com o Setor Pedro Ludovico.

A L U G U E L:

O número de moradores de áreas urbanas do País que
gastam mais de 30% de sua renda com o pagamento de
aluguel alcança 5,4milhões, o que equivale a 3,4%
da população das cidades.

A divulgação teve como temas Saneamento Básico e
Habitação. Sobre o Saneamento básico, o Ipea
destacou que o Brasil já conseguiu alcançar em
2007 a meta do milênio relativamente ao acesso
à água potável nas áreas urbanas, prevista
para 2015.

Outro ponto positivo foi que em 2007 houve um
aumento de 3 pontos porcentuais na proporção
da população urbana com acesso à rede
coletora de esgoto em relação ao ano anterior.
(COM AE)

"Jornal DAQUI"

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

PROFESSORA E PAIXÕES


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Anime - Orkut




Um moço vindo de Anápolis, seu nome Beto, viu
que eu tinha acabado o noivado, aproximou-se
de mim. Começamos a namorar.
Transferí todo amor a ele. Foi um ano de
namoro, noivado e casamento. Era minha cara
metade, tinha olhar terno e apaixonado, um
sorriso todo especial. Tinha surpresas
deliciosas; tivemos momentos de muito prazer,
harmonia no amor. Esse jovem foi meu colega
de escola e fizemos a Primeira Comunhão
juntos; ele conseguiu conquistar meu coração.

Em fevereiro de 1966 fui convidada para
lecionar particular numa fazenda bem próxima
à Passa Quatro, na residência do Sr. Ubaldo
e Dona Ivêda. Dava aulas para duas crianças:
Júlia e Jane. Obtive muito sucesso, porque
conseguí com menos de um ano alfabetizá-las.
Em 1967, elas foram matriculadas na segunda
série, no Passa Quatro, e saíram muito bem.

Na casa dessa família me sentia feliz e bem
considerada.
Sempre o namorado Beto me visitava nessa
fazenda.

***MINHA HISTÓRIA: Mudei o nome de alguns
personagens da história. Motivos simples.
Ana Maria Gonçalves***

terça-feira, 21 de outubro de 2008

UM GRANDE AMOR


Ana Maria lecionava na Fazenda Buriti, e Joaquim
Luís morava em Brasília DF; de vez em quando
aparecia por lá. Os dois começaram a namorar
com ordem do mano Elsom. Era uma paixão
fulminante; ele muito carinhoso, gentil, a
olhava sempre nos olhos; adivinhava sempre
o que ela queria. Tinha calor humano,
compreensivo, responsável e fiel.

Era extremamente importante tê-lo ao seu lado.
Havia um sentimento profundo, uma espécie de
primavera do coração, tudo era belo, havia
felicidade e sinceridade; era acolhedor, quando
apertava as suas mãos, se sentia nas nuvens.
Seu sorriso lhe cativava. A vida transformava-se
sempre em festa.

Seu rosto, seus olhos e seus lábios lhe fazia
delirar. Joaquim Luís era o homem da sua vida,
o seu amor, o ar que ela respirava.

Mas foi uma visão apenas, havia um deserto entre
eles; alguém impediu esse romance, não foi
outro homem, foram pessoas que fizeram a sua
cabeça, colocando impecilhos, dizendo que não
ía dar certo.
E ela ingênua caíu. Íam se casar, estavam noivos,
e tudo acabou. Ela tinha 14 anos. Sofreram. Mas
ele sofreu amargamente, tornou-se ébrio, afogava
essa paixão em copo de bebida.
Ela, sentindo-se culpada por tudo e arrependida
por ouvir tais conselhos.
Estes que fizeram dessas vidas um caos, talvez
se arrependeram.

***MINHA HISTÓRIA, Ana Maria Gonçalves***

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

EMOCIONALMENTE UMA CRIANÇA


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Garotas - Orkut




Uma moça de 27 anos que me contou que há dois
anos havia adquirido o hábito de mastigar e
engolir palitos. Explicou-me como sendo um
sintoma da sua intranquilidade e nervosismo.

Quando deixou a casa para trabalhar em outra
cidade, a mãe a obrigou a escrever-lhe
diariamente. O conteúdo das cartas entre mãe
e filha veio trair o grau de agarramento
neurótico entre as duas. A paciente sofria
de infantilismo adulto (expressão usada
pelos psicanalistas para descrever um
complexo de dependência semelhante ao das
crianças).

Devido às complicações que surgiram quando
encontrou um rapaz que lhe interessava, ela
me pediu conselhos. Disse-lhe que,
psicologicamente, ela jamais se havia
apartado da genitora, o que explicava o
prazer que sentia no hábito de comer palitos.
E como emocionalmente era ainda uma criança,
não estava suficientemente amadurecida para
o casamento. A moça deixou o vício, passou
a escrever para a mãe com menos frequência
e principiou a mostrar sinais de que se
estava tornando auto-suficiente.

"Do livro Ajuda-te pela Psiquiatria!, de
Frank S. Caprio, p. 63"

domingo, 19 de outubro de 2008

BEIJOS DE ADOLESCENTES


Recados e Imagens - Beijos - Orkut




Desde criança sempre via meu irmão Elson tocar
violão e cantar músicas sertanejas com seu
amigo Joaquim Luís que também tocava. E eu
pequena ficava sentada em cima da cama com as
pernas cruzadas, desajeitada, cabelos
cacheados e despenteados e pé no chão. Eu
tinha uns 9 a 10 anos de idade. Ouvia
atentamente o meu amado cantar. Eu,deslumbrada
com as músicas,comecei a me apaixonar. Joaquim
Luís percebia e cantava para mim. Uma que
gravei na memória, "Menina da Aldeia".

Já estava com 14 anos fui lecionar na Fazenda
Canavial, "Grupo Escolar Municipal Canavial"
Eu morava na casa do senhor Tubertino
Fernandes. Todos gostavam de mim. Na sala de
aula tinha aluno mais velho que eu. Nos
finais de semana me divertia bastante. Eu
namorava com o Elias Fernandes, um primo
meu. Nunca me esqueci, estávamos conversando, de
repente ele pegou minhas mãos, olhou nos meus
olhos e me roubou um beijo na boca. Até gostei.
Foi meu primeiro beijo.

Nesse mesmo ano minha amiga, prima e colega
Marlene namorava com o Boanerges; e eu de
longe o flertava.
Com 15 anos lecionava na Fazenda Buriti, eu
morava na casa da dona Juliana.
Sempre esperando meu grande amor chegar
de Brasília DF.
Tempos bons!

***MINHA HISTÓRIA, Ana Maria Gonçalves***

sábado, 18 de outubro de 2008

QUESTÃO DE PERSPECTIVA


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Fotos - Orkut




Assim como as crianças da casa de apoio, eu também
fui abandonado na infância. Morei na rua e tive
minha primeira escova de dentes quando fui servir
o exército, aos 18 anos. Foi aí que ganhei forças
para estruturar minha vida. Aos 28 anos, tinha
minha casa e trabalhava como gerente de uma loja
em São Paulo, quando descobri que tinha o HIV.
Me tornei ativista pelas questões da aids. Eu,
que nunca tinha pensado em ter filhos, fui
convidado para dirigir a FXB no Brasil, com 12
crianças sob minha responsabilidade.

Um dia, durante o almoço com elas, eu tomei meu
remédio. Um dos meninos perguntou: 'Para que
esse comprimido!'. Respondi: 'É para o mesmo
bichinho que vocês têm'. Todos pararam e
escutaram minha história.

'Antes de vocês nascerem eu já tinha o vírus.
Vamos contar nos dedos quantos anos faz! Quase
20!'. Como eles tinham perdido os pais, não
conheciam ninguém adulto que tivesse o mesmo
problema deles. E, naquela hora, senti que
eles ganharam uma nova perspectiva. Viram
que podiam crescer e viver bem como eu vivo.
Entenderam na prática que os pais tinham
morrido, mas eles não precisavam morrer.
"FOI MÁGICO".

"História de José Araújo, 48 anos, portador
do HIV há 20, coordenador da FXB do Brasil"

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

VESTI - ME DE ANJO


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Anjos - Orkut




Com 12 anos fui morar em Vianópolis na casa
do tio Claudemiro. Fiquei lá um ano. Fiz o
curso de admissão com o professor Ismael
Dias. Eu era ainda adolescente, gostava de
namorar, passeava sempre na estação de
trem de ferro; onde eu me encontrava com o
namorado. Saía sempre com a amiga Nilza.

Em Vianópolis nas novenas do mês de maio eu me
vesti de anjo e houve coroação de N. Senhora.

As vezes fico imaginando, quase não compreendo
os adultos; se são pequenos eles falam: é
muito criança, não sabe nada, é inocente. E
quando toma injeção eles dizem: não pode
chorar, você é grande. E tem mais, se quebra
um copo leva uma bronca; e quando eles
quebram, quem é que dá a bronca!

Com 14 anos, já na adolescência eu voltei de
Vianópolis e fui para a casa dos meus pais.
Numa noite acordei apavorada e chamei a
mamãe e disse que estava sangrando. Mamãe
sorriu e explicou que eu estava ficando moça,
que as regras haviam aparecido, e me ensinou
como cuidar. Naquela época a gente colocava
no lugar de absorvente, uns pedaços de panos,
que sempre teria que correr e trocar.
E mais, a gente lavava os paninhos para usar
de novo.

Falou - me que eu estava deixando de ser criança e me tornando uma mulher.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

JOVEM IGNORANTE


Hoje não estou para brincadeiras.
Vi coisas, acontecimentos andando fora da
linha; e sei que vai acabar levando bronca,
e não adianta apelar para os meus sempre
bons sentimentos.
Tem coisa que vemos e não podemos aceitar.
Não tenho medo de dizer tudo aquilo que
realmente sinto.
No ônibus, uma senhora obesa de uns 70 anos,
de pé segurando com dificuldade nos solavancos
da condução.
Uma turma de torcedores de futebol na maior
algazarra. Um deles, de uns 19 anos sentado
fingindo dormir, fingindo não ver o que eu via.

Coloquei a mão no ombro do moço, e alertei-o;
e pedi a poltrona para a tal senhora.
Correu um olhar de zombaria e continuou
ignorando.
Um senhor idoso levantou e cedeu o lugar no
assento.

Voltei para casa "P" da vida.
Pensei...pensei...
Não sou dona do mundo, tentei interceder
com meu ato generoso, mas simplesmente
não dependeu só de mim.
Não vou estressar-me.
Não vou resolver os problemas do mundo.

"Minha História: ***Ana Maria Gonçalves***

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

MUITO DIVERTIMENTO


Recados e Imagens - Crianças - Orkut




Ainda criança eu gostava de imitar os grandes.
Fazia um coque nos cabelos, vestia o vestido
da mamãe, calçava os sapatos de salto e
rebocava de batom os lábios. Começava a
desfilar diante do espelho, fazendo pose como
se fosse manequim e fingindo receber visitas
das comadres. Se alguém visse, poderia até rir.
Eu falava e gesticulava.

Com 11 anos cursei a quarta série na Escola
Reunida "Graciano José da Silva"; naquela
época tinha que decorar a tabuada, se não
soubesse ficava de castigo atrás do quadro-
negro; que era negro mesmo. Eis alguns dos
colegas de classe: Genevaldo, Boanerges,
Neuza, Antônio de Paula, Genésio, Geraldo,
Sebastião, Luzia e outros.

Nas festas do Passa-Quatro, gostávamos de
fazer vai e vem; quer dizer: moças de braços
dados e rapazes andavam prá lá e prá cá,
ultrapassando as moças; eles paquerando
as meninas e vice-verso.

Havia o correio elegante que aproximava os
jovens até o namoro. Eu tinha raiva de
bombinhas. Uns meninos metidos a
engraçadinhos, riscavam palitos de fósforos
e jogavam fingindo ser as tais bombinhas;
eu ficava assustada. As festas eram super
animadas com fogos, fogueiras, mastros e
músicas pelo alto falante. Esse anunciava
músicas oferecendo para uns e outros.

(A letra "M" oferece para a letra "S"
com muito amor e carinho).
Assim continuava a festa.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

terça-feira, 14 de outubro de 2008

AS CADEIRAS


Recados e Imagens - Idosos - Orkut




Viera para a aldeia um médico já idoso. O
seu primeiro doente foi um lavrador que se
queixava de fortíssimas dores nas costas.
O doutor receitou-lhe uma pomada para
friccionar as cadeiras com força, à noite
e de manhã. Passados oito dias, encontrando
o doente, perguntou-lhe o médico:

- Então como tem passado! Já não tem dores!
- Ai, senhor doutor, as cadeiras estão muito
lustrosas, mas eu estou na mesma!
- Ora essa! Como aplicou você o remédio que
lhe receitei!
- Olhe, senhor doutor - respondeu o lavrador -
todas as noites e todas as manhãs esfrego
com quanta força tenho as cadeiras da minha
sala. Elas estão lindas, estão, mas as dores
ainda não me passaram.

O médico soltou uma gargalhada e disse-lhe:
- Oh homem, não são as cadeiras da sua sala,
mas as cadeiras do seu corpo, os quadris,
que você deve mandar esfregar!
O aldeão compreendeu, assim fez, e daí a
pouco estava curado.

"Citado por Rodrigues Lapa".

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

BATE-PAPO CARA A CARA


A primeira vez ninguém esquece. Não mais que de
repente, havia um israelense me vendo em minha
casa e ele não havia saído da escrivaninha dele
em Israel. E eu, sem sair do caos do meu
escritório em São Paulo, estava na casa dele,
em alguma zona residencial de Telavive. Nem me
lembro o nome do homem, mas ficamos rindo à
toa ao perceber que o novo brinquedo estava
funcionando, e bem.

Ao saber que eu estava em São Paulo, ele passou
a elogiar as mulheres brasileiras e disse que
não perdia uma transmissão do nosso carnaval
pela TV. Já "íntimos", eu entreguei meu nome
e minha idade. E ele se identificou dizendo
que era um engenheiro elétrico de 28 anos.
Nesse momento, nós dois, separados por mais
de 10.000quilômetros, percebemos que uma nova
era da comunicação havia começado. "Você não
tem 28 anos", observei, e o engenheiro de
Telavive caiu na gargalhada. Ele era
provavelmente um clássico paquerador da Internet,
que podia dizer que tinha 28 anos, que era
louro e musculoso, e que tinha olhos azuis-claros.

Eu observava o tal engenheiro e via que era um
sexagenário tão sexy quanto o Alan Greenspan.
Ele havia se esquecido que tinha uma webcam
apontada para si e de que o tempo das mentirinhas
sem rosto havia acabado.

Com espírito esportivo, o israelense riu muito
da mancada. Em seguida, disse que a esposa o
chamava (provavelmente outra mentirinha),
se despediu e desligou.

"Revista Superinteressante"

sábado, 11 de outubro de 2008

VOCÊ NÃO QUER PARAR DE DANÇAR


Recados e Imagens - Tristeza - Orkut




"JOVEM DE 22 ANOS CONTA SUA EXPERIÊNCIA,
COM O TAL ECSTASY":

"Estava ansiosa. A festa rolava a mil. Eu
tinha tomado meio comprimido de "E" há 30
minutos e nada, nenhum efeito. Mas, aos
poucos, meu corpo foi ficando diferente,
mais sensível, mais maleável. Quando era
tocada em qualquer lugar, sentia o mesmo
arrepio de uma carícia atrás da orelha ou
na virilha. Um profundo sentimento de
harmonia com o mundo foi me preenchendo.

Numa rave, as pessoas olham para você e sentem
a sua felicidade. Basta um olhar, não é
preciso mais nada. As cores ficam nítidas,
como se você estivesse dentro de um mundo de
cor. Parece um vídeoclip em que o DJ comanda
os seus movimentos por meio do som. Quando
eu tomo ecstasy, alterno fases de euforia
e de relaxamento. É como a música que mistura
a batida eletrônica com sons distorcidos.
Você não quer parar de dançar. É o rítmo
da galera que contagia.

Chega um momento em que tudo parece estar em
câmera lenta. O corpo aquece, você sente
calor, fica derretendo, derretendo, bebe muita
água. Mas não sente fome nem cansaço. Pode
aguentar horas na pista. O desejo sexual
também aumenta. Pelo menos o meu aumentou.
Dividi um comprimido com o meu namorado e
pude comprovar esse aumento de prazer. O nome
'pílula do amor' faz sentido. Tinha uma aura
diferente entre a gente, um clima de muita
compreensão e de carinho pleno em cada toque.
Acho que é o contato com a pele que fica
diferente.

Mas o 'E' dá depressão, sim. Você fica triste
depois que o efeito passa. É difícil voltar
e encarar a realidade de que a vida não é
tão maravilhosa. As coisas ficam estranhas
por um tempo. Acho que não compensa tomar
o 'E'. Eu, particularmente, só tomo
acompanhada do meu namorado.

"Revista SUPERINTERESSANTE"

"Não é aconselhável o uso de ecstasy. Traz
consequências gravíssimas."
***Ana Maria Gonçalves***

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

LONGOS ESPINHOS E CANTAR MELODIOSO


Recados e Imagens - Mulheres - Orkut




Alma imersa na dor. Quanto mais longos e pungentes
forem os espinhos, mais meu canto será melodioso.
Por isso fiquei atenta em não deixar escapar nada,
porque amar na dor é muito mais agradável a Deus
do que amá-lo quando tudo vai bem.
As minhas dores são espirituais, são angústias
e dúvidas; sinto que o demônio aproveita esses
momentos de fraqueza enchendo-me a cabeça de
pensamentos que não são edificantes e pondo-me
incerteza no coração. Mas hoje estou em
condições de defender-me; sei que se amar, mesmo
nessa situação conseguirei vencer.

Ontem Lucas venceu o "homem velho" e obedeceu
a um pedido meu. Estava a ponto de lhe dar umas
palmadas, mas ele resolveu obedecer-me. Noto
que até mesmo as crianças muito pequenas
percebem o amor. Devo armar-me de muita
paciência, porque ocasiões deste gênero se
repetem continuamente.

O melhor ato de amor puro é mais útil à Igreja
do que todas as outras obras reunidas.
Foi este o único pensamento que guardei ao
ler um capítulo escrito por Santa teresinha,
mas ele não me traz alegria, nem a animação
íntima dos outros dias; pelo contrário, ao
ler tive sono. Ofereço-Te, da mesma forma,
tudo pela unidade, a cada instante. O
Pensamento que escrevi resume toda a
Sabedoria divina: hoje procurarei fazer
pelo menos um ato de amor puro.

Acabei de escrever a Betina, nem sei bem por
quê, mas sei que senti uma grande necessidade
e também o fiz porque, como de costume,
tive dificuldade em escrever essa carta.

"Do livro: Vencer a Angústia, do diário
íntimo de Elza Pavan, texto organizado
por Silvano Cola, p.24 e 25"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ANALISANDO OS ACONTECIMENTOS


Bom, indo por etapas: comecei o ano descobrindo que
estava com o vírus HIV; fui despedida do meu serviço,
uma escola que para mim era muito especial; fiquei
sem salários, cheia de dívidas e ainda considerada
má pagadora: descobri que minha mãe estava gastando
todas as nossas economias com vários exames
particulares na esperança de que tudo não passasse
de um grande engano e também seu nome estava sujo
no banco, onde não tinha mais dinheiro algum.

Dona Joana é mãe e pai ao mesmo tempo, é ela quem
cuida de absolutamente tudo dentro de casa. Por isso
não tinha como e nem a quem recorrer. Não tinha nem
mesmo como comprar a camiseta de uniforme da minha
irmãzinha, que custava 10 reais. Consequentemente,
ela foi para o colégio e voltou porque não a
deixaram entrar, sem falar do ponto que ela perdia
em toda aula de educação física por não ter a calça
própria para tal fim.

Tudo isso aconteceu muito rápido, em questão de
semanas. Oramos a Deus e minha mãe, fervorosa como
sempre, me dizia que Deus sabe o que faz e Ele nos
dará uma saída.

Num sábado, eu saí à noite. Fui a uma reunião de
jovens e, ao voltar, um amigo veio me acompanhando.
Ao chegarmos, conversamos bastante e ele comentou
algumas coisas de sua vida comigo. E eu percebi que
ele também tinha alguns sonhos que seríam difíceis
de realizar devido à sua situação financeira. Vale
lembrar que era difícil, mas não impossível.
Pensando nesse amigo, entrei em casa e orei a Deus
para que os seus sonhos pudessem ser concretizados.
No meio da oração, pensei: "Já que estou pedindo
com tanta fé, vou aproveitar e pedir a Deus que me
arranje um emprego urgente, pois não gosto de ficar
sem fazer nada". Voltei a orar e, quando terminei,
me deitei e fiquei pensando:"Só me faltava essa
agora, eu pedir a Deus um emprego, mas não mover
uma palha para que isso aconteça. Engraçado, quero
um bom colégio para dar aula, mas não fiz ficha
em lugar nenhum. Será que eu estou querendo que o
povo adivinhe que estou precisando! Só pode!"
Sorri sozinha e logo adormeci.

"Do livro:Sorrindo Entre Lágrimas, de Núbia
Moreira Sant`Ana, p.60 e 61".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

FAMÍLIA POBRE E HUMILDE


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Bonecas - Orkut




Éramos uma família pobre, humilde e honesta. Papai era sapateiro,
fazia chinelos, sapatos, botinas; pregava as correias
dispencadas dos chinelos das mulheres da currutela e das
fazendas vizinhas.
Lá no interior o linguajar era bastante caipira; diziam:
"cadê o estrupício do Chico Pelanca";
"tô cum cafubira";
"o Pedro Tatu arrumou a pinguela dismantelada";
"tô aperreado dimais";
"Constância, traz a candeia";
"fiz o negócio na bistunta";
"o tatu tafuiou na toca";
"a precata do Zé Patrício rebentou";
"o mascate vende bugiganga e baboseiras";
"Conceição deu estrimilique";
"Maria Astréia é turrona".
E assim por diante.

Como não havia energia, as pessoas sentavam-se nos banquinhos
ou tamboretes, nas portas das salas para papear com os
vizinhos. Enquanto isso, nós os filhos deitávamos a cabeça
nos colos das mães, para a cata de piolhos e lêndeas, Era raro
uma criança não pegar piolhos na escola.
Ainda recordando que papai plantou um fumal, e na colheita
reuniam homens e mulheres para prepararem os rolos de fumo;
e as mulheres cantarolavam: "Eu tava na peneira, eu tava
penerano, eu tava no namoro, eu tava namorano".
"A marvada da pínga que eu me atrapaio"...
Assim o tempo ía passando.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

terça-feira, 7 de outubro de 2008

MY FRIEND


-Cinco mais seis, - onze!!!
-Sobe quanto! - Ummmm!!!
-Sete para seis! - Não dáááá!!!
-O que eu faço! - Toma emprestado!!!...

Cabeceira do Rio do Peixe. O Grupo Escolar sozinho plantado
no meio do mato. O local fora cedido pelo fazendeiro, para
que a prefeitura construísse o educandário.
Prédio já antigo, janelas meio descanhotadas e paredes
esburacadas por fora, mordiscadas pelos dentes roedores
dos cavalos e das éguas dos vizinhos que alí faziam recreio
à procura de sal.
Goteirava. Tempo de chuva pegada era um deus-nos-acuda. A
gurizada sofria horrores. Sei lá se sofria, menino importa
lá com essas coisas! Não havia quem desse venção na tapagem
das goteiras, pois os estilingues dos marmanjos não davam
trégua. O professor bem que danava, ameaçava de castigo,
chegava a pôr os mais danados ajoelhados em cima de grãos
de milho com os braços abertos. Mas no que descuidava um
pouquinho a chuva chegava, vazava nos buracos das telhas
e molhava todo mundo. Era uma farra.

Professor era um só, para atender desde o prezinho até o
quarto ano. Enquanto a turma do fundo da sala recitava
em voz alta o bê-a-bá, bê-é-bé, bê-i-bi..., outro grupo
copiava a lição da cartilha toda esmolambada; outro ainda
escrevia no quadro-negro desbotado e rachado as operações
aritméticas elementares.

O mestre ía e vinha de bicicleta, pedalando morro a cima
ou apreciando o doce ventinho batendo na maçã do rosto
morro a baixo. Morava meio longe, distante uns dois
quilômetros. Chuva ou sol e a jornada se repetia anos
e anos seguidos.
Jamais reclamava. Não via motivos. Porque reclamar, se
aquela era a vida que havia pedido a Deus! Finalmente,
aposentou-se. O estresse da sala de aula acumulado ao
longo dos anos, como a insistente gota d`água que mesmo
na rotina preguiçosa transborda o recipiente, fê-lo
envelhecer precocemente.
O velho professor nunca pôde possuir um automóvel. Nem
de segunda mão. O dinheiro do mês era minguado, mal
dava para comprar o arroz, o feijão e alguma mistura
a mais para garantir o sustento da família.
A descendência aumentava a cada ano.
Mesmo assim era feliz. Enchia-se de satisfação na sua
bicicleta, rodando para cima e para baixo, sorrindo e
cumprimentando a todos e chamando-os de "My friend",
exibindo no peito a garbosa camisa do Vasco da Gama,
seu time preferido. Feliz principalmente porque
havia comprado bicicleta nova, a décima sétima de todo
o decorrer de sua existência. Achava-se um sortudo.

"Do livro Causos e Incautos - contos - , de
Elson Gonçalves de Oliveira, p.67 e 68"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

NECESSITO DOS MEUS DIREITOS


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Crianças - Orkut




Interceda meu Pai!
Senhores constituintes, eu sou a Valdete com apenas oito
anos de idade, uma das crianças que clama seus direitos.
Olha, não tenho oportunidades e nem facilidades de
desenvolver-me fisicamente, porque falta-me o alimento.
Mentalmente, porque falta tudo em casa, e sou muito pequena
para refletir tudo isso. A moral em minha casa está acabando,
papai devido as dificuldades que enfrenta, bebe muito, e
assim chega oferecer mamãe aos amigos dele que estão
embriagados.

Estou vagando sem direção, não quero que isso aconteça,
amo os dois, tenho medo da separação.

Senhores constituintes, desde o meu nascimento, tenho
como direito de chamar-me de Valdete.
Só que estou triste, porque sou da favela e as crianças
sociais riem no meu rosto dizendo: Valdete canivete,
pobrete. Olhe nos meus olhos, são tristonhos, estou
terrivelmente doente. Só que não preciso de remédio
para curar-me; preciso de compreensão e dos meus
direitos.

Como já disse, moro numa favela, meu barraco não tem
paredes completas. O teto é coberto por lona toda
furada e emendada com sacos plásticos.
As paredes também são feitas com sacolas plásticas
colhidas no lixão.
Sei que se continuar desse jeito, não terei muita vida
pela frente. E meu irmãozinho, o João, com um aninho!
terá sobrevivência!

Meu Deus, não quero ser chamada de Valdete canivete, e
nem o João de babão. Só queremos amor, compreensão,
respeito, alimento e assistência.
Sejam justos senhores constituintes!

***Ana Maria Gonçalves***

sábado, 4 de outubro de 2008

O MENINO E O PADRE


Um padre andava pelo sertão, e como estava com muita
sede, aproximou-se duma cabana e chamou por alguém de
dentro. Veio então lhe atender um menino muito mirrado.
- Bom dia meu filho, você não tem por aí uma aguinha
pro padre!
- Água tem não senhor, aqui só tem um pote cheio de
garapa de açúcar! Se o senhor quiser... - disse o menino.
- Serve, vá buscar. - Pediu-lhe o padre.

E o menino trouxe a garapa dentro de uma cabaça. O padre
bebeu bastante e o menino ofereceu mais. Meio desconfiado,
mas como estava com muita sede o padre aceitou.
Depois de beber, o padre curioso perguntou ao menino:
- Me diga uma coisa, sua mãe não vai brigar com você por
causa dessa garapa!
Briga não senhor. Ela não quer mais essa garapa, porque
tinha uma barata morta dentro do pote.

Surpreso e revoltado, o padre atira a cabaça no chão e
esta quebra-se em mil pedaços. E furioso ele exclama.
- Moleque danado, porque não me avisou antes!
O menino olhou desesperado para o padre, e então disse
em tom de lamento:
- Agora sim eu vou levar uma surra das grandes; o senhor
acaba de quebrar a cabacinha de vovó fazer xixi dentro!

"NOTA: Conto regional do nordeste, muito conhecido em
quase todas as cidades do interior de Pernambuco ao
Maranhão. Origem desconhecida."

http:||www.sitededicas.com.br

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

EM BUSCA DO GRANDE SURUBIM


Era a primeira vez em quase 30 anos que eu interrompia as
obrigações cotidianas, sem férias, sem feriadão, e rumava
para uma aventura de pesca. Me deu vontade de dizer, pelo
lirismo da palavra, que saíra sem destino. Mas não era sem
destino. Porque quem planejou a viagem foi meu amigo Carlos
Magalhães, diretor aposentado de multinacional, que ainda
leva os rígidos princípios do trabalho para a organização
das pescarias.

Saímos de Goiânia, numa bela madrugada de quinta-feira, numa
caminhonete do próprio Carlos, preparada para viagens de pesca,
que ele chama carinhosamente de Suruana. Éramos seis.
Deveríamos chegar ao mesmo dia a Dourados, onde moram Magal
e Tiago, respectivamente filhos do Tião e do Carlos, e exercem
a medicina. Confesso que, pela falta de hábito de sair assim,
fui com um certo peso de consciência por estar deixando
para trás minhas obrigações e minha mulher, pois a gente
sempre viajou junto. Mas a pescaria era só pra homens. Com
a conversa fluindo legal, a paisagem se renovando a cada
minuto, em pouco tempo se esvaeceram meus sentimentos negativos.

De Dourados a gente daria uma chegadinha a Pablo Juan Cabalero,
no Paraguai, para comprar os petrechos de pesca: varas, linhas,
carretilhas, molinetes, iscas artificiais etc.
Depois de dois dias confortavelmente acolhidos pelo Thiago e
pelo Magal em Dourados e duas viagens ao Paraguai, rumamos,
agora em dois carros, para o Pantanal, onde deveríamos nos
juntar a quatro outros camaradas que viriam de Luz, em Minas,
trazendo um carregamento de cerveja e de minhocuçus.

O dia passou sem a gente ver. Era tanta paisagem deslumbrante,
com as caraíbas e os mulunguns de brejo florindo fartamente,
com as garças voando feito guardanapo ao vento, os tuiuiús em
bando, os jacarés em manada se esquentando ao sol, que o dia
passou mais depressa que o esperado.

Ao findar do dia chegamos a Albuquerque, um paraíso pesqueiro
no Rio Paraguai, perto da Bolívia, logo abaixo da foz do Rio
Miranda.
Tivemos recepção de nobreza na pousada-palafita do Gordo (que
é bem magrinho), coadjuvado pelo careca (detentor de uma juba
farta). O tio Zé e sua turma já estava no mundo, à cata do
grande surubim. Na verdade o fetiche de todo pescador é
pescar um surubim acima de um metro.

Após seis dias subindo e descendo freneticamente o rio, com
guias locais, como se pescar fosse a salvação do mundo, era
a hora de fazer as malas e retornar às obrigações cotidianas.
Ninguém pôs as mãos no grande surubim, que eu saiba. Mas
ele nos animou todos esses dias. E é bem capaz que, pro
ano, a gente faça outra expedição, e saia fagueiramente
em busca do tal grande surubim do Rio Paraguai.

"Cronista: Edival Lourenço"

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

VERMES E ECLÍPSES



Me ofereceu o copo de vinho, contorcendo sensualmente o
corpo, cabeça encostada nos meus joelhos. Recusei. Cansado,
beber ficaria a nocaute. Praça cheia, conversas, reggae e
muito calor.
- Eu tô no subterrâneo. Na terra dos vermes. Não é legal!
Disse que sim. "Subterrâneos da Liberdade", sem entender
porque Jorge Amado veio baixar nessa velha praça
Universitária de guerra.
- Você já viveu no esgoto! É uma sensação indescritível!
- É, eu andei algumas vezes...
Me veio à memória o tempo de criança, quando, juntamente
com amigos, entrávamos em boca-de-lobo próxima à igreja
católica da Vila Redenção, e, descíamos pelos tubos de
águas pluviais até desembocar perto da nascente do córrego
Botafogo. Era uma travessia horrível de 500 metros. O ar
quente e fétido, quase sem oxigênio, a sensação era de um
percurso bem maior. Mas éramos aventureiros. A maior
recompensa era respirar o ar puro da mata, quando saíamos
da tubulação. A sensação de medo, era substituída por um
arfar profundo e expressão de poder. "Os vermes é que sabem
viver...no esgoto", concluí.
- Sara repetiu, eles é que são felizes...

Claro que falava no sentido figurado. Sara curtia a noite
junto aos amigos, bebendo vinho, ouvindo, cantando e dançando
reggae. Disse estar feliz pelo nosso reencontro. Ela era
naquela noite de eclípse total da lua, a última do século.
Eu, um estranho verme, cansado de um dia exaustivo de
trabalho, deitei-me num banco de concreto e fiquei
saboreando o eclípse, numa viagem particular. A lua foi
coberta pela sombra da terra. Sara , deitada com a cabeça
no meu colo, suspirou com satisfação.
Dois vermes, de subterrâneos distintos, enroscados, sob
um luar tênue, opaco, embriagados de uma lucidez duvidosa,
lutavam para estar em sincronia com os seus momentos.

"Do livro, Enquanto Isso... crônicas e contos,
de Osair Manassan, p.91,92e 93"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO


Era ele que erguia casas onde antes só havia chão. Como
um pássaro sem asas ele subia com as casas que lhe
brotavam da mão. Mas tudo desconhecia da sua missão:
Não sabia, por exemplo que a casa de um homem é um templo
sem religião, como tampouco sabia que a casa que ele fazia
sendo a sua liberdade, era a sua escravidão.
De fato, como podia um operário em construção compreender
porque um tijolo valia mais do que um pão! Tijolos ele
empilhava com pá, cimento e esquadria, quanto ao pão, ele
o comia... Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ía com suor e com cimento erguendo uma
casa aqui, adiante um apartamento, além uma igreja, à frente
um quartel e uma prisão: prisão de que sofreria não fosse,
eventualmente um operário em construção.
Mas ele desconhecia esse fato extraordinário: que o operário
faz a coisa e a coisa faz o operário. De forma que, certo
dia à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma
súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela mesa
-garrafa, prato, facão - era ele quem os fazia, ele, um humilde
operário em construção. Olhou em torno: gamela, banco, enxerga,
caldeirão, vidro, parede, janela, casa, cidade, nação! Tudo
o que existia era ele quem o fazia, ele, um humilde operário
que sabia exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento não sabereis nunca o quanto aquele
humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia
que ele mesmo levantara, um mundo onde nascia, de que sequer
suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, rude
mão, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de
que não havia no mundo coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal
sua construção, cresceu também seu coração. Ele não cresceu
em vão, pois além do que sabia - exercer a profissão - o
operário adquiriu uma nova dimensão.

E um fato novo se viu que a todos admirava: o que o operário
dizia, outro operário escutava. Foi aí que ele começou a
dizer não, porque sempre dizia sim. E aprendeu a notar coisas
a que não dava atenção: notou que sua marmita era o prato
do patrão, que sua cerveja preta era o uísque do patrão,
que seu macacão de zuarte era o terno do patrão, que o
casebre onde morava era a mansão do patrão, que seus dois
pés andarilhos eram as rodas do patrão, que a dureza do seu
dia era a noite do patrão. Que sua imensa fadiga era amiga
do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte na sua resolução.

"""Vinícius de Moraes"""