terça-feira, 30 de setembro de 2008

TRAUMAS DE CRIANÇAS


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Crianças - Orkut




No povoado de São Miguel do Passa-Quatro, presenciei uma
tragédia. Eu com seis anos de idade. Papai tinha um bar e
eu ficava sempre de dentro do balcão. Alguns homens
jogavam sinuca, e meu tio Júlio estava também dentro do
bar. De repente uma discussão, uma briga. Me lembro bem
que o papai ganhou alguns arranhões de faca, e meu tio
Júlio estava caído no chão todo esfaqueado, muito sangue
com o intestino saindo para fora.

Vi ainda um homem dando várias facadas; vi a faca na mão
dele suja de sangue. Saí correndo para dentro de casa e
já encontrei mamãe chorando.

Levaram meu tio para a cama, e o envolveu com lençol
prendendo a barriga dele, depois foram para o hospital;
e foi feito várias cirurgias dando resultado positivo.

Hoje, meu pai é falecido, mas , morte natural.
Meu tio Júlio que sofreu toda essa catástrofe, está vivo,
com 90 anos; e mora em Hidrolândia, Goiás. Gosta de
dançar um forró da terceira idade.

Diante desse ocorrido, traumas podem ficar quando crianças
presenciam barbaridades. Hoje tenho trauma com facas.
Na minha casa não afio as facas. São ceguíssimas.

***Minha História: Ana Maria Gonçalves***

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

UMA CONVERSA DE ÂNIMO


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Em casa, tivemos uma reunião - eu, minha mãe e minhas irmãs.
Choramos muito e oramos bastante. Minha mãe parecia estar
em pedaços de dor e me dizia:
-Você pode! Deus tudo pode! Deus nos dará forças para
compreender o que está acontecendo. Sua vida continua
normal, basta tomar cuidado para sua proteção.

Todos me abraçaram e me disseram:
- Levanta, universitária, professora nota dez. Futura
professora de cursinho!
Meu filhinho inocente se aproximou e perguntou:
- Mamãe, você está chorando! Será que alguém te bateu!
Eu disse:
- A mamãe está chorando de felicidade, porque o Papai
do Céu me deu você e hoje você é meu.
Tá bem!

Apertei ele bem forte em mim e pensei: "Meu Deus,
obrigado por ter livrado meu filhinho desta doença".
Dei-lhe um beijo e coloquei-o nos braços de minha
mãe, pois naquela hora não tinha condições para nada.

As aulas iriam começar e era tudo o que eu queria, que
começassem logo para que eu pudesse esquecer um pouco
esse pesadelo. Porque era isso que eu pensava: com
meus alunos tentarei esquecer um pouco isso que está
acontecendo. Mergulhei a fazer planejamento. No
terceiro dia desde a confirmação do resultado dos
exames, as aulas começariam e me serviriam de refúgio.

"Do livro: Sorrindo Entre Lágrimas, de
Núbia Moreira Sant`Ana, p. 56"

domingo, 28 de setembro de 2008

DESPEDIDA CRUEL


Recados e Imagens - Despedida - Orkut




Um grande acontecimento, uma guerra!
Porque acontece isso; porque existe a guerra, a separação.
Papai, não queria que chegasse esse momento crusciante.
A despedida é cruel demais; mamãe no leito de um
hospital com meu irmãozinho.
Hoje completa 3 dias que eu sentia a criança mais feliz
do mundo, porque ganhei um maninho. De repente um telegrama
urgente, notícias extraordinárias pelo rádio e televisão.

Papai sem dizer uma palavra me abraça chorando para uma
despedida, acaba de ser convocado para ir à luta, longe de nós.
Fiquei gritando e chorando, com medo dele não voltar
e morrer.
Não diga adeus, diga até breve!
Vou te esperar juntinho da mamãe e do meu irmãozinho.
Papai , vou rezar, vou conversar com Deus e pedir que
te proteja em todos os momentos.

***Ana Maria Gonçalves***

sábado, 27 de setembro de 2008

OLHANDO PELA JANELA


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Pela janela aberta, do meu apartamento, eu vejo um grande
pátio que mais parece um salão de festas. De manhã ele
é mais silencioso; mas em compensação, à tarde é
movimentado.
Todos os dias, parece que o sol brinca de esconde-esconde
com as crianças. De manhã ele aparece e se torna quentinho
como um cobertor, mas à tarde, o edifício parece dizer bem
baixinho no ouvido do sol:
Por favor, solzinho, tenha pena dessas crianças, esconda
seus raios picantes, porque elas vivem presas, e precisam
brincar um pouco.

O sol como um rei majestoso, gosta de fazer o bem, assim
o fez.
O pátio transbordou-se de guris, cada um exibia seus
brinquedos. As bicicletas passavam lado a lado, parecendo
casais de namorados. As bolas pulavam contentes nas
mãos da garotada. Os apitos zumbiam como se estivessem
nas bocas dos guardas. E as crianças sem brinquedos,
faziam barquinhos de papéis e íam jogando pelas janelas
dos apartamentos; fazendo com que o pátio ficasse
atapetado.

E eu olhava, percebia tudo diferente. O pátio havia se
transformado. Outrora era cinzento, agora ficou branco
como neve.
As mães recolhíam os filhos para o leito; e o local
ficara tão triste, emudecido, já não se ouvia as
algazarras de antes.
O zelador do prédio logo veio, fez a limpeza devida como
se estivesse preparando um palco para os artistas.

Assim pude ver, que o ambiente onde há crianças, se
torna agradável e convidativo.

***Ana Maria Gonçalves***

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

SIMPLICIDADE E ALEGRIA


As dificuldades rondavam nas vidas. Muitas casas não tinham
guarda-roupa; nas festas as mães costuravam e passavam a ferro
de brasa, as roupas. Colocavam sabugo no fogo para obter brasas
melhores. Quando o ferro não esquentava o suficiente, elas
punham um punhadinho de pó de café, ou de farinha de mandioca;
e sacudia o ferro para esquentar. Punham cuspe no dedo e
passavam por baixo do ferro, para ver se estava no ponto certo.
Depois das roupas passadas, eram penduradas nos pregos
enfileirados na parede.
Por muito pobres que eram; as famílias sacrificavam e faziam
vestidos de chitões, calças de brim, de algodão ou tergal;
e camisas de cambraia ou volta ao mundo; como diziam.

Mas não faltavam as mudas de roupas. Se a festa era de três
dias, era uma roupa para cada dia.
Muita pobreza; mas muita animação e simplicidade. O homens
festejavam calçados com botinas novas que ao caminhar elas
chiavam. As mulheres que usavam saltos, davam uma voltinha
nas barracas, dançavam, e logo voltavam.

As vezes até com as sandálias nas mãos; porque os pés
ficavam cheios de bolhas de calos.
Era um passear constante nas barraquinhas. O dinheirinho
regrado e guardado o ano todo, nas latinhas, serviam para
as compras de bugigangas. Alegria encontrava-se ali.


***História vivenciada por Ana Maria Gonçalves***.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

HOJE


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HOJE em dia, nas noites de verão, em todas as noites, depois
do jantar, o pai abandona a mesa. Ainda com a xícara de café
na mão, ele se dirige à caixa quadrada. A deusa dos raios
azulados e espera o toque. Para emitir som e luz, imagem
e movimento. Todos se ajeitam. O lugar principal é para o
pai. Ninguém conversa. Não há o que falar. O pai não traz
nada da rua, do dia-a-dia, do escritório.

Os filhos não perguntam, estão proibidos de interromper. A
mulher mergulha na telenovela, no filme. Todos sabem que
não virá visita. E se vier alguma, vai chegar antes da
telenovela. Conversas esparsas durante os comerciais. A
sensação é que basta estar junto. Nada mais. Silenciosa,
a família contempla a caixa azulada.

Os olhos excitados, cabeças inflamadas. Recebendo, recebendo.
Enquanto o corpo suportar, estarão alí. Depois, tocarão
o botão e a deusa descansará. Então, as pessoas vão para
as camas, deitam e sonham. Com as coisas vistas. Sempre
vistas através da caixa. Nunca sentidas ou vividas.
Imunizadas que estão contra a própria vida.

"Brandão, Ignácio de Loyola"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ONTEM


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Nas noites de verão, depois do jantar, as pessoas saíam para as
calçadas, cadeiras na mão. Os velhos, ou os donos da casa,
sentavam-se junto à porta. Os outros, em volta. Primeiro, os
mais chegados, parentes ou não. Depois, amigos, conhecidos,
visitas ocasionais, numa hierarquia da qual as crianças
estavam excluídas. Quando as pessoas chegavam, os donos da
casa estavam à porta, à espera. Não que fosse praxe.
Simplesmente costume. Mas se os donos ali não estivessem, as
conversas começavam na sala, junto com o café.

Transferindo-se para a calçada à medida que chegava mais gente.
O que interessava eram os casos de família, a educação do
filhos, a política, a escola, os casamentos das viúvas, as
árvores geneacológicas, quem fez e não fez, o filme com Tyrone
Power, a igreja condenando os ciganos que tinham acampado na
cidade, os pracinhas que íam voltar da guerra. As rodas na
calçada, às vezes se estendiam pela rua. Sem perigo.

Em toda a cidade existiam dois ônibus, trinta caminhões que
transportavam leite, lenhadores e sacos de café, oito carros
de aluguel e cinquenta veículos particulares. As crianças
corriam, rodavam na roda, atravessavam a rua num pé só,
brincavam de pique. Os homens fumavam, as mulheres tomavam
refrescos, licor de jabuticabas ou figo.

O café era servido à chegada e quase no fim, quando o apito
da fábrica soava, dez e meia. As visitas começavam a se
levantar. Ficavam um pouco de pé, costurando rabos de assuntos,
enquanto os pais recolhiam filhos e as mães buscavam os bebês
que dormiam, cobrindo com mantas, por causa de um golpe de ar.
Em quinze minutos a rua se esvaziava.

"Brandão, Ignácio de Loyola"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A PRIMEIRA COMUNHÃO


Com 7 anos de idade, Ana Maria foi para a escola, tinha como
professora a jovem Veneranda. Nesse mesmo ano foi sua Primeira
Comunhão. Era festa de São Miguel do Passa Quatro o padroeiro
do povoado.
As latas ficavam cheias de bolos, brevidades, biscoito de queijo
e pipoca redonda. As crianças gostavam de colocar as pipocas nos
dedos polegares e ficar rodando. Haviam também latas de doce
de leite, de mamão, de ovos com cravo da Índia e queijada. Era
indispensável o pé-de-moleque feito com rapadura.
Os parentes fazendeiros traziam para as rancharias, lombo de
porco, carne seca e pelotas de carne.
No domingo de manhã sua mãe punha a bacia com água na porta
da cozinha para o banho de chap...chap..., depois vestia o
vestido comprido, rendado e todo branco, com véu e grinalda;
parecia uma noivinha. Ela se emperiquitava e ía à Primeira
Comunhão. Era a menor da turma.
Com sua inocência ficava acreditando: se o padre puser a
hóstia na língua espichada e pregar no céu da boca, é
porque ainda tem pecado.
No final íam todos para a casa do festeiro comer bolo com
café e refrigerante. Todos acompanhados pelos pais e pelos
professores: José Arnaldo, Nicanor e Ivani.
Na frente como guia, ía o beato penitente, o "Sebastião
Tereso".
Após o cafezinho todos voltavam para casa satisfeitos.
Nunca esqueci minha Primeira Comunhão.
Recebi Jesus com 7 anos.
Sou feliz!

***Minha História, Ana Maria Gonçalves***

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

SALÁRIO MÍNIMO, DEPOIMENTO DE UMA CRIANÇA


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O salário mínimo é tão pequenininho que cabe até no meu bolso.
É por isso que ele é chamado de mínimo, que quer dizer que menor
não tem.
Meu pai diz que o salário mínimo é um dinheiro que não serve
pra nada, mas na televisão o moço disse que só pode isso mesmo,
e está acabado. Meu pai quase quebrou a televisão depois que o
moço falou.
Meu pai anda chamando o salário mínimo de um outro nome, mas
eu não vou dizer aqui, porque outro dia eu disse esse nome no
recreio e a professora me deixou de castigo.
O salário mínimo deve ser muito engraçado porque, quando falaram
que ele tinha aumentado, lá em casa todo mundo deu risada.

Meu pai disse que uma vez um homem que era presidente falou que
se ganhasse salário mínimo dava um tiro na cabeça, mas eu acho
que ele estava brincando, porque quem ganha salário mínimo não
tem dinheiro pra comprar revólver.
O meu pai não ganha salário mínimo mas com o que ele ganha
também não dá pra comprar muitos revólveres a não ser de
brinquedo e só de vez em quando.
O meu avô é aposentado. Ele não faz nada mas parece que já fez.
Ouvi dizer que o salário mínimo não aumentou mais por causa dele.
Eu não sabia que o meu avô era taão importante. Minha avó não é
aposentada também, ela é muito velhinha, não dá pra ser mais
nada.
Lá em casa falaram que esse salário mínimo não vai dar mais pra
comprar a cesta básica. Eu não sei muito bem o que é a cesta
básica, mas parece que tem comida dentro. Se for, é só diminuir
bastante o tamanho da cesta que aí cabe tudo.

Ouvi meu tio desempregado dizendo que tem um livro chamado
Constituição, onde está escrito que com o salário mínimo a
pessoa tem que comer, morar numa casa, andar de condução, se
vestir e uma porção de coisas. Coitado do meu tio. A falta de
emprego está deixando ele doidinho.
Quando eu crescer não vou querer salário mínimo, mesmo que
seja o dobro. Parece que ele é tão pequeno que mesmo que seja
o dobro do dobro ele continua mínimo.
A minha mesada é muito pequena, mas ainda bem que ninguém
inventou a mesada mínima, porque com o que a minha mãe me dá
quase não dá pra comprar figurinha.

Pronto. Isso é o que eu penso do tal salário mínimo. Espero
que a professora me dê uma boa nota porque ela é muito
boazinha e merece ganhar muito mais do que todos os salários
mínimos juntos.
Só mais uma coisa: se eu fosse presidente da República mudava
o salário mínimo para um salário bem grande e chamava ele
de salário máximo.

"Revista VEJA"

domingo, 21 de setembro de 2008

UMA COBRA NA BICA D´ÁGUA


Numa noite prometendo muita chuva, com relâmpagos deslizando
no céu e trovoadas que pareciam tambores estridentes. Em uma
casa humilde do interior de Goiás, um casal simples recebeu
pelas mãos de uma parteira famosa, "Dona Ana Baiança"; uma
criança bem miudinha com traços pequenos.
O pai Sebastião foi logo dizendo: ela se chamará "Ana Maria",
nome da sua avó. A criança nascera em 28 de janeiro de 1950.
Seu umbigo foi curado com azeite de mamona esquentado na chapa
da fornalha.
Sendo a primeira filha, era muito mimada pelos familiares,
amigos e padrinhos de batismo. Criança morena, cabelos pretos
em caracóis, boca pequena e gostava de uma chupeta.
Naquele tempo usavam aquelas que faziam um barulhinho: fit...
fit...
Com 5 aninhos a avó Esmélia conseguiu tirar essa companheira,
que era o engabelo, a sua chupeta. Ela era muito sapeca; na
igreja, nas quermesses ficava imitando os grandes, cantando
os hinos e também pegando nos rabos de galos das mulheres
em oração.

Um dia brincando na bica d´água, veio uma cobra jararacuçu
e grudou o seu paletó; Deus é tão poderoso, fez com que ela
puxasse o braço e a bicha escapuliu.
A criança usava um paletó de flanela xadrez que cobria bem
os braços, e a cobra ficou agarrada pelo paletó; ela gritou
e chorou muito e sacudiu os braços, e ela fugiu imediatamente
não mordendo.
"Acreditar que todos tem seu Anjo de Guarda, e orar por ele".

***História verídica, aconteceu comigo, eu era a criança***
***Ana Maria Gonçalves***

sábado, 20 de setembro de 2008

MAS CHOVEU!


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Já não era veranico. Era verão, no duro! Enchendo-nos de calor,
desde a antemanhã até mesmo depois de se ter afundado, horizonte
a dentro, o sol metia medo. Metia medo em nós, obrigados a correr,
de cá pra lá, cavando o pão. E metia medo - medo maior ainda -
em nossos irmãos que viam o arroz e o seu milho penando. Com o
verde, amarelecendo. Passando de esperança a desespero...
Nada de chuva. O céu, transparente. Feíssimo. (Porque, no tempo
de chuva, céu bonito e céu enfarruscado, ameaçador). Nem trovão,
nem relâmpago. Canícula, só!

Extraindo dos cereais a sua vida, Goiás via no brilho do sol
um crepe lutuoso. Nos arrozais secando, as cenas de fome que as
revistas estão espalhando - fazendo crescer, ainda mais, a
angústia do País. E na terra esturricada, o quilo de feijão
e a cozinhada de arroz SUBINDO ASSUSTADORAMENTE - é assim
que os jornais anunciam os preços criminosos!
Mas, choveu. Graças a Deus. Choveu pouco, é certo. No entanto,
já serve. Serve como bom prenúncio. Vai invernar outra vez!

Chovendo, volta o verde às roças. E renascem as esperanças que
o sol esfacelara. Chovendo, nas aldeias goianas cessam as
procissões, as humildes procissões que o sertanejo organiza
para molhar, num lamento, o cruzeiro do cemitério. Chovendo,
trocam-se as longas preces, de desespero, pelos breves
murmúrios, de agradecimento - mais sorriso que oração. O roceiro
arregaça as calças e pisa, com vontade, os pés descalços na terra
amolecida pela água. O homem da cidade retoma as galochas... e
daí a algumas horas, seguro de que nas roças não há o problema
da estiagem, resmunga contra a chuva!

Que importa, porém, a irascibilidade do citadino! (Venham,
chuvinhas! Mesmo que seja para nos molhar, dentro do cine
Santana...) O essencial é que chova nas searas. Para que
haja muito arroz em nossas tulhas. Feijão barato nas panelas.
Milho, café, abóbora. E saborosas gargalhadas em vez de
lágrimas!

"Do livro: Livro de Ana, de Ursulino Leão, p. 65 e 66".



"Hoje choveu aqui em Goiânia."

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O "REPLAY" DO PASSADO


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No meio desse corre-corre, indo para o hospital, para o
laboratório, para a faculdade, em qualquer espaço vago
de tempo que eu tinha, ficava a pensar: "Que doença
terrível! Eu não posso ter uma doença dessas! Não é
possível que aos treze anos uma mísera ilusão tenha me
levado a ter essa dor!". Lembrava-me do Perfido, todo
bonitinho, como toda menina nessa idade gosta, mas cheio
de artimanhas. Eu apaixonada, pela primeira vez, ele
muito experiente e maquiavélico (só que, para mim, ele
era um anjo). Passei por cima até de minha mãe. Lembrava
de como ele me dizia:
- Se você não for para a cama comigo vou terminar, eu
mesmo, o nosso namoro.
Eu dizia a ele que isso seria um erro, pois minha mãe
confia muito em mim. Além do mais, sou evangélica e
me batizei aos doze anos. E ele continuava a insistir.
Preservativo! Ah! Ouvia falar na escola, mas naquela
idade não passava nada em minha cabeça sobre os perigos
de doenças sexualmente transmissíveis. Um dia ele
terminou comigo. Ai! Que desespero! Ficou quinze dias
sem me ver e depois voltou. Daí eu pensei, agora eu
vou ceder, senão o perco, e pensava que, se o perdesse,
minha vida acabaria. Que idiota eu fui!

Numa manhã de domingo. Perfido pediu a minha mãe que
deixasse eu ir com ele até a casa de sua mãe. Com
muito custo ela deixou, marcou o horário de volta e
fomos. Nesse dia ele não concretizou totalmente o
ato, mas creio que foi aí que eu contraí esse vírus
maldito. É! Mal comecei a minha adolescência e já dou
esse azar.
Isso tudo vinha como relâmpago em minha mente. Porque
desobedeci minha mãe! O que virou minha vida!

"Do livro: Sorrindo Entre Lágrimas, de
Núbia Moreira Sant`ana, p.71"

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O BALÃO DE BENNY


Benny tinha setenta anos quando morreu subitamente de câncer,
em Wilmette, Illinois. Como sua neta de dez anos, Rachel,
nunca teve a oportunidade de dizer adeus, ela chorou
durante vários dias. Mas depois de receber um grande
balão vermelho em uma festa de aniversário, voltou para
casa com uma idéia - uma carta para o vovô Benny,
enviada para o céu em seu balão.
A mãe de Rachel não teve coragem de dizer não e observou
com lágrimas nos olhos o frágil balão subir por entre
as árvores que cercavam o jardim e desaparecer.

Dois meses depois, Rachel recebeu esta carta com
carimbo do correio de uma cidade a 900 quilômetros
de distância, na Pensilvânia.
"Querida Rachel,
Vovô Benny recebeu a sua carta. Ele realmente a
adorou. Por favor, entenda que coisas materiais não
podem ficar no céu, por isso tiveram que mandar o
balão de volta para a Terra - eles só guardam os
pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse
tipo no céu.
Rachel, sempre que você pensar no vovô Benny, ele
saberá e estará muito perto, com um amor enorme
por você.
Sinceramente,

Bob Anderson (também um vovô)."


"Do livro: Histórias Para Aquecer O Coração, de
Michael Cody, ps.46 e 47".

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

UMA CARTA AO AMIGO INESQUECÍVEL


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Escrevo com o peito em festa e duas lágrimas na face a rolar.
Hoje não tenho palavras para dizer o que sinto por ti, um
amigo, um pai. Você é um homem que muitas vezes me carregou
no colo, cuidando de mim na hora da doença, sempre me deu
o que precisava. Talvez você mereça mais que simples palavras,
mereça muito mais. Sou uma criança em seus braços. Sei que
não sou, mas você me torna a própria.

Hoje, vejo sua face enrugada, seu corpo envelhecendo e
lembro-me quantas vezes pegou o chinelo, brigou e fez-me ver
o que não queria ouvir e entender o que não entendia. Hoje,
lhe agradeço pelas chineladas, pelos castigos. Gosto muito de
seus conselhos do século passado, seus carinhos, seu modo
de vida. Me orgulho de seu suor, abaixo de chuva e sol,
sempre honesto. Tem um lugar no meu peito, que ama e sente
pena de você. Todo o tempo que precisei de você, me
atendeu, deixou de lado o supérfluo e me amparou. Quantas
vezes olhei suas rugas e me culpei, pelos erros, pelo
tempo perdido, não atendendo você. Talvez pai, um dia
você se orgulhe de mim. Nunca deixarei magoarem você...

Se existem erros, nunca é tarde para começar. Se um dia,
pai, precisar de um ombro amigo para chorar ou um
conselho, procura-me. Você é um homem velho, mas eu
amo você!

Pai, desculpa se não digo mais nada, se não tenho
coragem de falar cara a cara, mas eu te adoro!

"Adriana Wilson Cavalheiro. Zero Hora. Porto Alegre,
12 de agosto de 1989. (Suplemento "Zé H". N. 33
- Ano I."

terça-feira, 16 de setembro de 2008

EU NÃO O CONHECI


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SOU UM HOMEM MUITO OCUPADO:

Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele
em casa e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me
pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido.
Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.

Um dia, na sala, ele me puxou a barra do paletó e me fez
examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.

Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo
velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe
comprei um brinquedo novo. Na noite seguinte, quando
entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo
e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto.

Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi
embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse:
_ Fica comigo. Só um pouquinho, pai.
Eu não podia; mas a babá ficou com ele.

Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora.
Foi embora e eu não o conheci.

"Oswaldo França Júnior. As Laranjas Iguais.2.ed.
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.p.37"

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

VOVÓ RUBY E SEU CARINHO


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Sendo mãe de dois meninos muito ativos, de um e sete anos de
idade, às vezes me preocupo que eles transformem minha casa
cuidadosamente decorada em um canteiro de demolição. Em meio
a sua inocência e às suas brincadeiras, de vez em quando
derrubam meu abajur favorito ou desarrumam meus arranjos
bem planejados. Nesses momentos, quando nada parece sagrado,
lembro-me da liçao que aprendi com minha sábia sogra, Ruby.

Ruby é mãe de seis e avó de treze. É a encarnação da gentileza,
da paciência e do amor.
Num Natal, todos os filhos e netos estavam reunidos, como de
costume, na casa de Ruby. Apenas um mês antes Ruby havia
comprado um lindo carpete branco, depois de viver com o mesmo
carpete durante vinte e cinco anos. Ficara felicíssima com
o jeito novo que ele dava à casa.
Meu cunhado, Arnie, tinha acabado de distribuir seus presentes
entre todas as sobrinhas e sobrinhos - mel natural premiado
de seu apiário. Eles estavam superanimados. Mas quis o destino
que a pequena Sheena de oito anos de idade derramasse seu
pote de mel no carpete novo da vovó fazendo uma trilha
escada abaixo por toda a casa.

Chorando, Sheena correu para a cozinha e para os braços
de Ruby.
- Vovó, eu derramei todo o meu mel em cima do seu carpete
novo.
Vovó Ruby ajoelhou´se, olhou carinhosamente nos olhos
chorosos de Sheena e disse:
- Não se preocupe, querida, podemos lhe arrumar mais mel.

"Livro: Histórias Para Aquecer O Coração, Lynn Robertson,
p.176 e 177"

domingo, 14 de setembro de 2008

O ESCRITOR


A vida do século dezenove não era fácil para o rapaz londrino.
Enquanto seu pai definhava na cadeia por causa de dívidas,
dores excruciantes de fome corroíam seu estômago. Para
alimentar-se, o garoto aceitou um emprego colando rótulos
em garrafas de graxa em um lúgubre armazém infestado de ratos.

Dormia em um quarto desolador no sótão com dois outros
rapazolas, enquanto sonhava secretamente tornar-se um escritor.
Tendo estudado apenas quatro anos, possuia pouca segurança
em suas habilidades. A fim de evitar os risos zombeteiros
que esperava, escapou furtivamente no meio da noite para
enviar seu primeiro manuscrito.

Uma história depois da outra era recusada até que, finalmente,
uma foi aceita. Não o pagaram por ela, mas, ainda assim,
um editor elogiou seu trabalho.

O reconhecimento que recebeu através da impressão daquela
história mudou sua vida. Se não fosse pelo encorajamento
daquele editor, ele poderia ter passado toda a sua vida
trabalhando em uma fábrica infestada de ratos.
Você pode ter ouvido falar nesse garoto, cujos livros
causaram tantas mudanças no tratamento dado às crianças
e aos pobres: seu nome era Charles Dickens.

"Do livro: Histórias para Aquecer o Coração, de Willy
McNamara, p. 139 e 140".

sábado, 13 de setembro de 2008

O SOM DE MÃOS BATENDO PALMAS


Existe uma história maravilhosa a respeito de Jimmy Durante,
um dos grandes artistas de teatro de variedades de algumas
gerações atrás. Pediram-lhe que fizesse parte de um show
para veteranos da Segunda Guerra Mundial. Ele disse que
estava com a agenda muito ocupada e que poderia ceder
apenas alguns minutos, mas que, se não se importassem
de ele fazer um monólogo curto e partir imediatamente
para seu próximo compromisso, ele iria. É claro que
o diretor do espetáculo concordou alegremente.

Mas quando Jimmy subiu no palco algo interessante aconteceu.
Ele acabou o pequeno monólogo e ficou. Os aplausos ficaram
cada vez mais altos e ele continuou ali - quinze, vinte,
então trinta minutos. Finalmente, fez sua última
reverência e saiu do palco. Na coxia alguém o deteve e disse:

- Achei que o senhor tinha que partir depois de alguns
minutos. O que aconteceu!
Jimmy respondeu:

- Eu realmente tinha que ir, mas posso lhe mostrar o
motivo pelo qual fiquei. Você mesmo pode ver se olhar
para a primeira fila.

Na primeira fila estavam dois homens, cada um dos
quais havia perdido um abraço na guerra. Um perdera
o braço direito,e o outro,
o esquerdo. Juntos, eram capazes de aplaudir e era
exatamente isso o que estavam fazendo, bem alto e
alegremente.

"Do livro: Histórias Para Aquecer O Coração, de
Tim Hansel, p.124 e 125"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

BOAS MANEIRAS


A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado.
Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os
comprimidos do dia: para pressão alta, tonteira e um grande
número de outras enfermidades.
"Graças a Deus eu me aposentei há vários anos" - ela pensou.
"Não tenho energia para ensinar hoje em dia."
Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela
viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada,
grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem
em seu pescoço.
"Ele esteve preso" - pensou.
Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado
e calças largas levaram-na a conjecturar:
"Ele é membro de uma gangue."
A professora tentou deixar o homem passar na sua frente.
- Você pode ir primeiro - ofereceu.
- Não, a senhora primeiro - ele insistiu.
- Não, você está com mais gente - disse a professora.
- Devemos respeitar os mais velhos - defendeu-se o homem.
E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para
a mulher.
Um breve sorriso adejou em seus lábios enquanto ela
mancou na frente dele. A professora que existia dentro
dela não pôde desperdiçar o momento e, virando-se para
ele, perguntou:
- Quem lhe ensinou boas maneiras&!
- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.

"Paul Karrer. Do livro: Histórias Para Aquecer O Coração,
de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Heather
McNamara, p.27 e 28".

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

PROBLEMA OU SOLUÇÃO


HISTÓRIA DE VIDA:

Era 1993. Eu havia sido demitido de meu emprego de meio
expediente e não podia mais contribuir para a despesa
familiar. Nossa única renda era o que mamãe conseguia
ganhar fazendo roupas para os outros.
Então mamãe ficou doente durante algumas semanas e
incapaz de trabalhar. A companhia elétrica veio e
cortou a força quando não conseguimos pagar a conta.
Depois foi a companhia de água. Mas o Departamento de
Saúde os fez religar a água por motivos sanitários.
A despensa ficou quase vazia. Felizmente, tínhamos uma
pequena horta e podíamos cozinhar os legumes numa
fogueira no quintal.

Um dia minha irmã mais nova veio saltitante da escola
para casa dizendo:
- Amanhã temos que levar para a escola alguma coisa
para dar aos pobres.
Mamãe começou a esbravejar, dizendo:
- Não conheço ninguém mais pobre do que nós!
Mas a mãe dela, que estava morando conosco na época, a
fez calar, franzindo as sombrancelhas e tocando-lhe
o braço:
- Eva - disse -, se você passar para uma criança a idéia
de que ela é "pobre" com essa idade, ela será "pobre"
para o resto da vida. Sobrou um pote daquela geléia
caseira. Ela pode levar aquilo.

Vovô achou um pedaço de papel de seda e um pedacinho
de fita cor-de-rosa com os quais embrulhou nosso
último pote de geléia, e minha irmã foi saltitando
para a escola no dia seguinte levando orgulhosamente
seu "presente para os pobres".

E, para sempre depois disso, se havia um problema na
comunidade, minha irmã naturalmente presumia que ela
deveria ser parte da solução.

(Edgar Bledsoe)
"Do Livro: Histórias para Aquecer o Coração, de
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Heather McNamara,
p. 146 e 147".

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A CHAVE DE OURO


Recados e Imagens - Fotos - Orkut




Certa vez, num rigoroso inverno, quando espesso
manto de neve cobria a terra, um pobre rapaz teve
de sair para buscar lenha num trenó. Depois de a
ter recolhido e empilhado, quis aquecer-se um pouco,
antes de voltar para casa, pois estava que não
podia aguentar mais de frio. Ao remover a neve de
um trecho do solo, para acender uma fogueira, ele
encontrou uma chavezinha de ouro. Acreditando que,
onde estivesse a chave, devia estar a fechadura,
continuou a escavar a terra e achou um cofre de
ferro.

"Tomara que a chave sirva", - pensou ele, - "na
certa há coisas preciosas aí dentro".

Embora procurasse muito, não via nenhum buraco de
fechadura. Finalmente, encontrou-o, mas tão
pequenino que mal se podia ver. Experimentou e,
de fato, a chave serviu. Deu volta e... paciência!
Pois temos de esperar que o abra de todo e que
levante a tampa. Só então saberemos que coisas
maravilhosas havia dentro do cofre.

" Grimm, em Contos de Grimm".

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A PORTA


Recados e Imagens - Paisagens - Orkut




O meu nome eu não sei direito, mas me chamam de Porta.
Não sei quantos anos tenho, mas acho que tenho três
anos. Eu morava na floresta e agora moro numa sala
de aula. Tenho bastante irmãos, milhares.
Quando eu era árvore eu gostava de fazer sombra,
mas agora que sou porta, gosto de ficar aberta.
Mas às vezes fico triste, quando alguém me empurra
forte e eu esbarro na parede.

Meu melhor amigo é o quadro, sempre fica junto comigo,
conversamos sobre muitas coisas. Eu moro numa sala de
aula, mas a sala não é bonita.
Gostaria que a sala de aula que eu moro fosse bem bonita.
Meus pais não trabalham, eles são mesas. Quando eu morava
com meus pais, eu conversava muito com eles. Nós
conversávamos sobre a natureza.

Eu brinco de esconde-esconde com o quadro.
Eu trabalho, meu serviço é abrir e fechar.
Eu sou muito feliz, eu fico mais feliz quando
falam que sou bonita. Como eu sou uma porta
gostaria de ter uma fechadura bem chique.
Se eu pudesse mudar o mundo eu queria mudar,
queria ser árvore outra vez.

"FONTE: Cílssia Alves Vasconcelos, aluna da
quinta série "F", da Escola Estadual
de Mineiros, Goiás". Publicado em Jornal.