segunda-feira, 9 de novembro de 2009

*TRABALHO ESCRAVO URBANO*


A professora paraense Nazaré Serra trabalha até 18 horas
em um só dia para cumprir a jornada de 280 horas-aula
por mês. Com o reajuste de 9,5% dado em maio pelo
governo, após dez dias de paralisação das aulas, ela
ganha cerca de R$640. Morando em uma casa cedida na
Cremação, bairro pobre de Belém (PA), Nazaré tem
sistematicamente atrasado contas para sobreviver com
seus dois filhos desempregados.

"Para saber o que não vou pagar, faço um sorteio, jogo
para cima as contas e o que cair no chão vai para o
mês que vem", brinca. Com 21 anos de magistério e 19 em
escolas estaduais, Nazaré viu seu salário ser achatado
durante esses anos.
"Se tivesse que pagar aluguel, não conseguiria."
Os filhos formaram-se em escola pública e hoje lutam
sem sucesso para entrar na universidade.
Professora de português e ensino religioso, Nazaré
demora duas horas de ônibus de sua casa até a escola
de Outeiro, periferia de Belém. À noite, já foi
assaltada duas vezes.
Durante a campanha salarial em maio, ela estava com
os colegas em frente ao Centro Integrado do Governo
do Pará, quando foram recebidos pelo Batalhão de
Choque com balas de borracha e bombas de efeito moral.
"Estão tentando acabar com o trabalho escravo na área
rural do Pará, mas ele existe na área urbana."

(Revista ESCOLA)
Imagens da internet)

domingo, 8 de novembro de 2009

*LADO A LADO, BEM BOLADO*


encantadoras mensagens



Ricardinho andava sem sorte. Acho até que, se ele fosse
jogar cara-ou-coroa ou par-ou-ímpar dez vezes seguidas,
ele perderia todas elas.
O caso é que ele tinha aprendido que "em cima" se escreve
separado e "embaixo" se escreve junto. Mas, na hora de
escrever suas redações, ele seeeeempre se confundia e
acabava fazendo tudo ao contrário.
Foi queixar-se pra vovó. Afinal, a vovó tinha sido professora
a vida inteira e sabia tudo, tudinho mesmo de todas as coisas.
- É fácil, Ricardinho - ensinou a vovó. - Levante a mão
esquerda, bem aberta.
- Assim?
- Não. Essa é a direita.
- Então é essa?
- É claro, você só tem duas, não é? A mão esquerda é a que
fica do lado do coração.
- E de que lado fica o coração?
- Do lado dessa pintinha que você tem no rosto.
- Ah, ficou fácil! Mas o que tem a ver a mão esquerda
levantada com "em cima" e "embaixo"?
- Veja, querido: seus dedos, "em cima", estão separados
e, "embaixo", eles estão juntos, grudados na palma,
não estão?
Quando você ficar em dúvida, é só levantar a mão aberta,
que você nunca mais vai errar! "Em cima" é sempre
separado e "embaixo" é sempre junto!
Ricardinho achou genial a idéia da vovó. No dia seguinte,
na escola, tratou logo de contar o novo truque para o
Adriano, seu melhor amigo na primeira série.
- Tá vendo, Adriano? É só levantar a mão esquerda e...
- Não vai dar certo - respondeu o amigo.
- Por que não?
- Porque, se eu levantar a mão esquerda, como é que eu
vou escrever? Eu sou canhoto!
- Bom, então levante a direita, que dá no mesmo.
- E como é que eu sei qual é a direita?
- É fácil. Eu, por exemplo, sei que a minha mão esquerda
é esta, que está do lado da pintinha que eu tenho na cara.
- Mas eu não tenho nenhuma pintinha na cara - discordou
o Adriano.
Ricardinho chegou a sugerir que o Adriano pintasse uma
pinta na cara com a caneta, mas Adriano acabou achando mais
fácil saber que a sua mão esquerda era aquela com que ele
escrevia e desenhava e a direita era...bom, era a outra!

(Conto de Pedro Bandeira)
(Imagem da internet)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

*SÓCRATES, FILHO DE UMA PARTEIRA*


Filho de uma parteira e de um escultor, Sócrates nasceu
em Atenas por volta de 469 a.C. Estudou a arte do pai e
trabalhou como escultor por algum tempo. Adquiriu a
cultura tradicional dos jovens atenienses, aprendendo
música, ginástica e gramática. Prestou serviço militar e
lutou nas guerras contra Esparta (432 a.C.). Durante o
apogeu de Atenas, onde se instalou a primeira democracia
de que se tem notícia, conviveu com intelectuais, artistas,
aristocratas e políticos importantes.
Convenceu-se de sua missão de mestre por volta dos 38 anos,
depois que seu amigo Querofonte, em visita ao templo de
Apolo, em Delfos, ouviu do oráculo que Sócrates era "o
mais sábio dos homens".
Deduzindo que sua sabedoria só podia ser resultado da
percepção da própria ignorância, passou a dialogar com as
pessoas que se dispusessem a procurar a verdade e o bem.
Em meio ao desmoronamento do império ateniense e à guerra
civil interna, quando já era septuagenário, Sócrates foi
acusado de desrespeitar os deuses do Estado e de corromper
os jovens. Julgado e condenado à morte por envenenamento,
ele se recusou a fugir ou a renegar suas convicções para
salvar a vida. Ingeriu cicuta e morreu rodeado por seus
amigos, em 399 a. C.
(Revista ESCOLA)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

*PÓS-GRADUAÇÃO OU AS CONTAS*


O professor Ricardo Alexandre de Jesus Camilo, 26 anos,
há um ano e meio na rede estadual, leciona no Colégio
Moraes Prado II, no jardim Varginha, região do Grajaú,
em São Paulo (SP). É uma das escolas "de latinha", de
zinco, construídas provisoriamente em região de proteção
de mananciais. Ele completa a renda dando aulas em uma
escola particular. "Dou aula para ensino fundamental,
de quinta a oitava série, e para o ensino médio. Estou
com 12 aulas e tiro R$ 390, com os descontos. Na escola
particular, o salário não é dos sonhos, mas recebo mais
e trabalho menos", aponta.

No ano passado, Camilo fazia a jornada de 32 horas - e,
acima de 24 horas por semana, o professor não recebe o
vale-alimentação. Mas pelo menos ele conseguia pagar
todas as contas no fim do mês. "Hoje, ainda bem que
moro com minha mãe e meus irmãos", define.
"Se eu tivesse outro irmão professor não conseguiríamos
pagar tudo."
Ele acha que um salário justo para os professores
deveria deveria ser pelo menos 60% maior do que o atual.
"Não sobra dinheiro para investir na carreira", lamenta.
"Quando terminei a faculdade, imaginei ficar um ano
sem estudar e logo depois fazer uma pós-graduação. Mas,
agora, ou eu pago uma pós ou compro comida, pago a luz."

(Revista EDUCAÇÃO)
(Imagem da internet)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

*NA ITÁLIA, COMO UM ITALIANO*


(Imagem da internet)

"Meu pai foi jogador de futebol e vendedor de bilhetes
de loteria. Não tive berço de ouro. Quando fui jogar
no Pisa, em 1987, não falava língua nenhuma. Se via
alguma coisa e não sabia o nome, pedia para os colegas
escreverem num papel. Um jogador estrangeiro não pode
ser um corpo estranho na equipe. Quem vai para fora
tem de se desvencilhar do Brasil, e não ficar procurando
o Brasil lá fora. É por isso que, quando morei na Itália,
tentei viver como um italiano, na Alemanha como um alemão,
e no japão como um japonês. Em Florença, por exemplo, ía
sempre aos mercados tradicionais e a museus. Cheguei a
entrar em lugares históricos reservados apenas para
secretários de governo.


No Japão, visitei vários templos budistas. Na Alemanha,
tinha aulas com uma professora que me levava a festas
típicas. Além disso, em todos os países, fiz amizade
com famílias que me mostraram o modo de vida local.
Isso foi bom não só pelo aspecto cultural. De certa
forma, essas experiências me deixaram com a cabeça mais
aberta e me ajudam a lidar com os jogadores como treinador.

*Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, 45 anos,
treinador da seleção brasileira*
(Imagem da internet)

(Revista VEJA, 2009)

sábado, 31 de outubro de 2009

*FALSIFICARAM MINHA PÁGINA NO ORKUT*


(Imagem da internet)

"FUI ALVO DE ZOMBARIAS DEPOIS QUE
FALSIFICARAM MINHA PÁGINA NO ORKUT"

"Em 2006, tive minha página no Orkut cionada 3 vezes.
As fotos que apareciam nas páginas falsas eram minhas,
mas as informações contidas nelas eram todas inventadas.
Fui apresentada como lésbica e, depois, como garota de
programa. Cheguei a receber mais de 300 recados com
cantadas em uma semana. Passei a ser alvo de zombarias
e muitos conhecidos que acessaram as páginas falsas
se afastaram de mim. Na faculdade em que minha mãe
dá aulas, os alunos faziam piadinhas, deixando-a
constrangida.
Entrei na Justiça e consegui que o Google retirasse
o material do ar, mas eles se recusaram a fornecer
uma informação fundamental para a identificação dos
culpados. Só no fim de 2008 é que tive acesso a esse
dado, mas, depois de tanto tempo, as chances de
identificar os criminosos são mínimas, porque a lei
não obriga os provedores a preservar esse tipo de
dado. Estou brigando na Justiça para que o Google
seja responsabilizado pelas perdas e danos que sofri."

(A.C.C., 33 anos, psicóloga. Belo Horizonte, MG)


Observação:
Em cinco anos, quadruplicou no Brasil o número de
notificações relacionadas a fraudes, invasões e
tentativas de invasão sofridas por usuários
de computador.
FONTE: Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de
Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br)

(Imagem da internet)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

*AUTISTAS: QUANDO SERÁ A VEZ DELES?


Sou professora de Computação Gráfica e Aerografia, mas
escrevo mais como mãe do que como profissional. Meu
filho Erick, de 9 anos, é um autista não-verbal. Vocês
não podem imaginar como é triste quando um bebê não
abraça seus pais. Nem como é difícil ver o descaso com
a Educação Especial.
Crianças autistas, em geral, são incapazes de estabelecer
qualquer tipo de relação social e não têm condições de
frequentar turmas regulares.
Elas necessitam de educação especializada. Existem várias
linhas de trabalho aprovadas mundialmente, que nem sequer
exigem verbas. Basta vontade política. Apesar disso - e
de a lei garantir o acesso dessas crianças à escola
especial, bem como ao atendimento terapêutico -, milhares
de meninos e meninas continuam abandonados.

Como educadora, sei que o ensino especializado daria ao
meu filho - e a tantos outros autistas - reais
possibilidades de desenvolvimento. Hoje, infelizmente,
mantenho Erick em casa. Mas tenho esperanças de um dia
vê-lo conquistar progressos numa escola adequada.

Em algumas cidades, a Justiça exigiu a criação de vagas
específicas na rede pública. Mas isso é pouco. Uma
alternativa seria obrigar também as instituições
privadas. Por isso, faço aqui a súplica: os ministérios
da Educação e da Saúde precisam se unir para
solucionar essa questão.

(Lucy Santos, São Paulo)