
A professora paraense Nazaré Serra trabalha até 18 horas
em um só dia para cumprir a jornada de 280 horas-aula
por mês. Com o reajuste de 9,5% dado em maio pelo
governo, após dez dias de paralisação das aulas, ela
ganha cerca de R$640. Morando em uma casa cedida na
Cremação, bairro pobre de Belém (PA), Nazaré tem
sistematicamente atrasado contas para sobreviver com
seus dois filhos desempregados.

"Para saber o que não vou pagar, faço um sorteio, jogo
para cima as contas e o que cair no chão vai para o
mês que vem", brinca. Com 21 anos de magistério e 19 em
escolas estaduais, Nazaré viu seu salário ser achatado
durante esses anos.
"Se tivesse que pagar aluguel, não conseguiria."
Os filhos formaram-se em escola pública e hoje lutam
sem sucesso para entrar na universidade.
Professora de português e ensino religioso, Nazaré
demora duas horas de ônibus de sua casa até a escola
de Outeiro, periferia de Belém. À noite, já foi
assaltada duas vezes.
Durante a campanha salarial em maio, ela estava com
os colegas em frente ao Centro Integrado do Governo
do Pará, quando foram recebidos pelo Batalhão de
Choque com balas de borracha e bombas de efeito moral.
"Estão tentando acabar com o trabalho escravo na área
rural do Pará, mas ele existe na área urbana."
(Revista ESCOLA)
Imagens da internet)











