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terça-feira, 30 de setembro de 2008

TRAUMAS DE CRIANÇAS


Imagens, Mensagens, Frases e Vídeos - Crianças - Orkut




No povoado de São Miguel do Passa-Quatro, presenciei uma
tragédia. Eu com seis anos de idade. Papai tinha um bar e
eu ficava sempre de dentro do balcão. Alguns homens
jogavam sinuca, e meu tio Júlio estava também dentro do
bar. De repente uma discussão, uma briga. Me lembro bem
que o papai ganhou alguns arranhões de faca, e meu tio
Júlio estava caído no chão todo esfaqueado, muito sangue
com o intestino saindo para fora.

Vi ainda um homem dando várias facadas; vi a faca na mão
dele suja de sangue. Saí correndo para dentro de casa e
já encontrei mamãe chorando.

Levaram meu tio para a cama, e o envolveu com lençol
prendendo a barriga dele, depois foram para o hospital;
e foi feito várias cirurgias dando resultado positivo.

Hoje, meu pai é falecido, mas , morte natural.
Meu tio Júlio que sofreu toda essa catástrofe, está vivo,
com 90 anos; e mora em Hidrolândia, Goiás. Gosta de
dançar um forró da terceira idade.

Diante desse ocorrido, traumas podem ficar quando crianças
presenciam barbaridades. Hoje tenho trauma com facas.
Na minha casa não afio as facas. São ceguíssimas.

***Minha História: Ana Maria Gonçalves***

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

UMA CONVERSA DE ÂNIMO


Recados e Imagens - Melhoras - Orkut




Em casa, tivemos uma reunião - eu, minha mãe e minhas irmãs.
Choramos muito e oramos bastante. Minha mãe parecia estar
em pedaços de dor e me dizia:
-Você pode! Deus tudo pode! Deus nos dará forças para
compreender o que está acontecendo. Sua vida continua
normal, basta tomar cuidado para sua proteção.

Todos me abraçaram e me disseram:
- Levanta, universitária, professora nota dez. Futura
professora de cursinho!
Meu filhinho inocente se aproximou e perguntou:
- Mamãe, você está chorando! Será que alguém te bateu!
Eu disse:
- A mamãe está chorando de felicidade, porque o Papai
do Céu me deu você e hoje você é meu.
Tá bem!

Apertei ele bem forte em mim e pensei: "Meu Deus,
obrigado por ter livrado meu filhinho desta doença".
Dei-lhe um beijo e coloquei-o nos braços de minha
mãe, pois naquela hora não tinha condições para nada.

As aulas iriam começar e era tudo o que eu queria, que
começassem logo para que eu pudesse esquecer um pouco
esse pesadelo. Porque era isso que eu pensava: com
meus alunos tentarei esquecer um pouco isso que está
acontecendo. Mergulhei a fazer planejamento. No
terceiro dia desde a confirmação do resultado dos
exames, as aulas começariam e me serviriam de refúgio.

"Do livro: Sorrindo Entre Lágrimas, de
Núbia Moreira Sant`Ana, p. 56"

domingo, 28 de setembro de 2008

DESPEDIDA CRUEL


Recados e Imagens - Despedida - Orkut




Um grande acontecimento, uma guerra!
Porque acontece isso; porque existe a guerra, a separação.
Papai, não queria que chegasse esse momento crusciante.
A despedida é cruel demais; mamãe no leito de um
hospital com meu irmãozinho.
Hoje completa 3 dias que eu sentia a criança mais feliz
do mundo, porque ganhei um maninho. De repente um telegrama
urgente, notícias extraordinárias pelo rádio e televisão.

Papai sem dizer uma palavra me abraça chorando para uma
despedida, acaba de ser convocado para ir à luta, longe de nós.
Fiquei gritando e chorando, com medo dele não voltar
e morrer.
Não diga adeus, diga até breve!
Vou te esperar juntinho da mamãe e do meu irmãozinho.
Papai , vou rezar, vou conversar com Deus e pedir que
te proteja em todos os momentos.

***Ana Maria Gonçalves***

sábado, 27 de setembro de 2008

OLHANDO PELA JANELA


Recados e Imagens - Crianças - Orkut




Pela janela aberta, do meu apartamento, eu vejo um grande
pátio que mais parece um salão de festas. De manhã ele
é mais silencioso; mas em compensação, à tarde é
movimentado.
Todos os dias, parece que o sol brinca de esconde-esconde
com as crianças. De manhã ele aparece e se torna quentinho
como um cobertor, mas à tarde, o edifício parece dizer bem
baixinho no ouvido do sol:
Por favor, solzinho, tenha pena dessas crianças, esconda
seus raios picantes, porque elas vivem presas, e precisam
brincar um pouco.

O sol como um rei majestoso, gosta de fazer o bem, assim
o fez.
O pátio transbordou-se de guris, cada um exibia seus
brinquedos. As bicicletas passavam lado a lado, parecendo
casais de namorados. As bolas pulavam contentes nas
mãos da garotada. Os apitos zumbiam como se estivessem
nas bocas dos guardas. E as crianças sem brinquedos,
faziam barquinhos de papéis e íam jogando pelas janelas
dos apartamentos; fazendo com que o pátio ficasse
atapetado.

E eu olhava, percebia tudo diferente. O pátio havia se
transformado. Outrora era cinzento, agora ficou branco
como neve.
As mães recolhíam os filhos para o leito; e o local
ficara tão triste, emudecido, já não se ouvia as
algazarras de antes.
O zelador do prédio logo veio, fez a limpeza devida como
se estivesse preparando um palco para os artistas.

Assim pude ver, que o ambiente onde há crianças, se
torna agradável e convidativo.

***Ana Maria Gonçalves***

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

SIMPLICIDADE E ALEGRIA


As dificuldades rondavam nas vidas. Muitas casas não tinham
guarda-roupa; nas festas as mães costuravam e passavam a ferro
de brasa, as roupas. Colocavam sabugo no fogo para obter brasas
melhores. Quando o ferro não esquentava o suficiente, elas
punham um punhadinho de pó de café, ou de farinha de mandioca;
e sacudia o ferro para esquentar. Punham cuspe no dedo e
passavam por baixo do ferro, para ver se estava no ponto certo.
Depois das roupas passadas, eram penduradas nos pregos
enfileirados na parede.
Por muito pobres que eram; as famílias sacrificavam e faziam
vestidos de chitões, calças de brim, de algodão ou tergal;
e camisas de cambraia ou volta ao mundo; como diziam.

Mas não faltavam as mudas de roupas. Se a festa era de três
dias, era uma roupa para cada dia.
Muita pobreza; mas muita animação e simplicidade. O homens
festejavam calçados com botinas novas que ao caminhar elas
chiavam. As mulheres que usavam saltos, davam uma voltinha
nas barracas, dançavam, e logo voltavam.

As vezes até com as sandálias nas mãos; porque os pés
ficavam cheios de bolhas de calos.
Era um passear constante nas barraquinhas. O dinheirinho
regrado e guardado o ano todo, nas latinhas, serviam para
as compras de bugigangas. Alegria encontrava-se ali.


***História vivenciada por Ana Maria Gonçalves***.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

HOJE


Recados e Imagens - Felicidade - Orkut




HOJE em dia, nas noites de verão, em todas as noites, depois
do jantar, o pai abandona a mesa. Ainda com a xícara de café
na mão, ele se dirige à caixa quadrada. A deusa dos raios
azulados e espera o toque. Para emitir som e luz, imagem
e movimento. Todos se ajeitam. O lugar principal é para o
pai. Ninguém conversa. Não há o que falar. O pai não traz
nada da rua, do dia-a-dia, do escritório.

Os filhos não perguntam, estão proibidos de interromper. A
mulher mergulha na telenovela, no filme. Todos sabem que
não virá visita. E se vier alguma, vai chegar antes da
telenovela. Conversas esparsas durante os comerciais. A
sensação é que basta estar junto. Nada mais. Silenciosa,
a família contempla a caixa azulada.

Os olhos excitados, cabeças inflamadas. Recebendo, recebendo.
Enquanto o corpo suportar, estarão alí. Depois, tocarão
o botão e a deusa descansará. Então, as pessoas vão para
as camas, deitam e sonham. Com as coisas vistas. Sempre
vistas através da caixa. Nunca sentidas ou vividas.
Imunizadas que estão contra a própria vida.

"Brandão, Ignácio de Loyola"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ONTEM


Recados e Imagens - Especial - Orkut




Nas noites de verão, depois do jantar, as pessoas saíam para as
calçadas, cadeiras na mão. Os velhos, ou os donos da casa,
sentavam-se junto à porta. Os outros, em volta. Primeiro, os
mais chegados, parentes ou não. Depois, amigos, conhecidos,
visitas ocasionais, numa hierarquia da qual as crianças
estavam excluídas. Quando as pessoas chegavam, os donos da
casa estavam à porta, à espera. Não que fosse praxe.
Simplesmente costume. Mas se os donos ali não estivessem, as
conversas começavam na sala, junto com o café.

Transferindo-se para a calçada à medida que chegava mais gente.
O que interessava eram os casos de família, a educação do
filhos, a política, a escola, os casamentos das viúvas, as
árvores geneacológicas, quem fez e não fez, o filme com Tyrone
Power, a igreja condenando os ciganos que tinham acampado na
cidade, os pracinhas que íam voltar da guerra. As rodas na
calçada, às vezes se estendiam pela rua. Sem perigo.

Em toda a cidade existiam dois ônibus, trinta caminhões que
transportavam leite, lenhadores e sacos de café, oito carros
de aluguel e cinquenta veículos particulares. As crianças
corriam, rodavam na roda, atravessavam a rua num pé só,
brincavam de pique. Os homens fumavam, as mulheres tomavam
refrescos, licor de jabuticabas ou figo.

O café era servido à chegada e quase no fim, quando o apito
da fábrica soava, dez e meia. As visitas começavam a se
levantar. Ficavam um pouco de pé, costurando rabos de assuntos,
enquanto os pais recolhiam filhos e as mães buscavam os bebês
que dormiam, cobrindo com mantas, por causa de um golpe de ar.
Em quinze minutos a rua se esvaziava.

"Brandão, Ignácio de Loyola"