De dentro de mim, enrodilhado, por meu olhar
contemplas o universo. Vem, minha criança,
não tenhas medo. Sai dessa concha de sangue
e carne onde te preparas para o mistério da
vida - estou à tua espera. Vem, quero te
falar das marés e da Lua Cheia, quero te
contar dos homens e de suas invenções.
Conheço cantigas de ninar com as quais te
embalarei, para que teu sono seja tranquilo.
Sei histórias de fadas e de heróis e vou
narrá-las, uma por uma, para que seja alegre
teu despertar e divertido teu dia.
Ouve: esse rumor surdo e contínuo - que te
faz companhia aí dentro nessa noite de tantas
luas - é meu coração batendo. Ele continuará
pulsando por ti, quando já tiveres saído e
me olhares nos olhos. Por esse som me
reconhecerás, aqui fora, quando estiveres nos
meus braços e eu te aconchegar no meu peito.
Esta será nossa senha, para o resto da vida.
Toda vez que a tristeza escurecer o teu
semblante, sempre que a aflição fizer teu
coração bater mais rápido, corre para mim e
encosta a cabeça no meu regaço. Aí ouvirás
de novo esta mensagem. Estarei te esperando.
Como hoje.
"Aos cinco meses, seu bebê já chupa o dedo,
abre e fecha as mãozinhas e dá chutes e
reviravoltas para treinar o sistema nervoso."
"Lídia Rosenberg Aratangy"




