Conheci o meu marido aos 16 anos. Tive certeza
de que viveríamos uma grande história. Aos 19
anos, fiquei grávida. Fomos morar com meus
sogros, e continuei a trabalhar depois que a
Aline nasceu. Nossa vida era maravilhosa,
cheia de amigos, bem agitada. Quando ele
começou a ganhar melhor, fomos para um
apartamento, mas continuei a trabalhar para
ajudar com as despesas. Eu me desdobrava para
cuidar de tudo. A Aline tinha quatro anos
quando engravidei do Rui. Tomava anticoncepcional
e saí transtornada do consultório médico.
Meu marido me acalmou.
Só mais tarde tive certeza disso.
Minha mãe me ajudou a cuidar do Rui até ele fazer
cinco meses. Mas precisou voltar porque meu pai
estava doente. A essa altura, meu marido tinha
um bom emprego e parei de trabalhar para
cuidar das crianças. Nossa vida continuava
ótima. Viajávamos muito, e ele sempre fazia
convites inesperados. Certa vez, perto da
meia-noite, saímos para comer feijoada.
Foi inesquecível. De um desses programas
repentinos me lembro bem, porque
mudou minha vida.
"Depoimento a Adriane Behar, Note e Anote"




