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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

# COM MUITA GARRA #


Assim pensando mais, fiz minha matrícula
no Educandário Alfredo Nasser, cursando
quarto Ano Pedagógico. "Não medimos a
juventude de uma pessoa pelo seu físico,
mas pelo seu espírito. A juventude de
uma pessoa está mais no seu interior, do
que no rosto".

Estudando e trabalhando com muita garra,
mas um pouco triste, porque meu esposo
ficou desempregado; mas com muita fé que
logo consiga um trabalho.

Minha filha Denise cursando a terceira
série, meu filho Lindomar a oitava série,
e meu filho Wagner que é o mais velho,
cursando o segundo grau e trabalhando
com muito sucesso.
"Senhor, por sermos fracos como as
vidraças das janelas, cuidai de todos nós".

Mesmo com dificuldades a gente ía na chácara
bastante distante. A conquista da verdadeira
glória é cheia de tropeços, de rosas, de
caminhos retos e em curvas. Encontramos
obstáculos e labirintos.

Lembro-me bem que no início não tínhamos
nada. Hoje, com a ajuda de Deus, conseguimos
ter o pouco que temos.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

# ANO DE 1987 #


O que é que eu tenho para contar!
O dia está lindo!
Estamos no verão. Não gosto dessa mudança
de horário. Hoje amanheceu frio; não fui
ao colégio, porque estou de recesso.
A pessoa otimista tem:
bondade no olhar, amor no coração,
silêncio nas palavras, sorriso nos lábios,
felicidade no viver e muita confiança em
Deus.

Estou tentando ser dedicada, me preparando
para iniciar o ano letivo. Participei de
um curso "Monhangara" no Colégio Estadual
Vila Brasília; gostei imensamente, fiz
novas amizades, e aprendi muito, foi uma
troca de experiência.

Prometi a mim mesma, ser forte de maneira
que nada possa perturbar a paz de espírito.
E que o Senhor Jesus, faça do meu lar um
lugar de muito amor. Que não haja aflição
e nem egoísmo. Que saibamos caminhar em
nossa vida de cada dia. Que em cada
manhã nasça mais um dia de doação e
sacrifício. E que nos ajuda a educar nossos
filhos, orientá-los nos seus caminhos.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

terça-feira, 11 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

# OBRIGADA POR VISITAR-ME#


Recados e Imagens - Obrigado - Orkut



# RETROSPECTIVA #


Em 1986, eu e Beto trabalhando, muita luta,
os filhos crescendo e estudando, mudança
do Cruzeiro para Cruzado.
Em 1987, fui no mutirama com meus alunos,
e havia felicidade na minha família,
apesar da bebida alcoólica perturbar.

Nesse mesmo ano, escrevi tudo que pensei
e tudo o que sentí. Ou seja, fiz um
retrospecto do ano que passou; o que
passei de bom ou de ruim. Mas a gente
nunca escreve tudo o que pensa, tudo o
que sente. Porque será que somos sinceros
pensando!

Precisamos ter um diário para os momentos
em que não temos com quem conversar.
Minhas colegas de trabalho sempre ficaram
admiradas, porque consigo fazer tempo
para ler, escrever, trabalhar e divertir.

Até com o diário tenho a impressão de que
estou menos só; aproveito para fazer
reflexão.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

domingo, 9 de novembro de 2008

# VINDA PARA GOIÂNIA #


Fiquei seis meses de licença-prêmio, mas
com vaga segura no Colégio Estadual
"Rogério Bonifácio" para onde fui removida.
Trabalhei lá um ano, mas ficava distante da
minha casa.

Já estava acostumando em Goiânia e gostando.
Eu gostava bastante das colegas de trabalho.
A diretora que muito me ajudou; os meus
alunos que fiz amizade; todos do colégio,
os meus agradecimentos.

Em Goiânia fomos bem recebidos. Parentes e
amigos nos acolheu e alojou nas suas casas,
o nosso Deus lhes pague.

Em 1986, consegui remoção para perto de
casa, para o Colégio Estadual "José Alves
de Assis". Tive apoio da diretora Elza
Peixoto e da coordenadora Maria Gomes,
ambas acreditaram em mim, lecionei em
1986, 1987 e 1988. Depois fui promovida
para outro cargo.

***MINHA HISTÓRIA: Ana Maria Gonçalves***

sábado, 8 de novembro de 2008

# NÃO CHOVE #


Recados e Imagens - Paisagens - Orkut




Não chove. Nem nuvem de esperança há nesse
céu azul e indiferente, dominado pela rubra
circunferência do sol.
Não chove! E a gente, o que faz! Resmunga.
Sua. Bebe refrigerantes. Lastima a sorte das
roças e abandona a gravata.

Nas aldeias goianas, no entanto, o povo luta
contra a seca que já se prolonga demais,
ameaçando engolir outubro inteiro. Luta,
rezando. Luta, penitenciando-se. Luta,
realizando tradicionais sacrifícios, sob
ritos de superstição e piedade.

Ao meio-dia, faz-se a procissão. Muitas
mulheres, alguns velhos, meninos. Com as
suas vasilhas e a sua fé se dirigem ao rio
ou à aguada da vila.

Cheios os baldes, potes e garrafas volta o
cortejo, rezando rezas milagrosas e cantando
loas súplices a Maria Madalena. Rezas e
cânticos tirados, quase sempre, por negra
de muitos anos, de voz rouquenha e
lastimosa. A turba, com respeito, entoa os
estribilhos e às vezes protesta quando o
canto sai desentoado: - "tira outra vez!"...

A procissão já atravessou a rua encalmada,
no silêncio dos homens que trabalham e dos
vagabundos que, na venda, conversavam, e,
agora, se aproxima do cruzeiro, em frente
à igreja. Soa o sino sons tristes sobre
o sertão em expectativa...

Uma por uma, todas as vasilhas se despejam
ao pé da cruz. A água do sacrifício penetra
a terra sedenta e a alma daquela gente boa
e humilde sonha com a chuva descendo do
céu, dias e dias, para molhar os campos,
dar de beber ao gado, correr pelo chão num
desperdício de enxurradas e poças. Enquanto
sonham, com aguaceiro e lufadas, o suor lhes
cai dos rostos e é prece também.

Dizem ainda derradeiro Padre-Nosso e a voz
que tirava rezas e cantos encerra a cerimônia:
- "agora cada um oferece pras almas do
Purgatório"...
Na cidade grande, sofrendo diariamente a
provação da canícula, eu ouço a voz
angustiante dos que, nos povoados longínquos,
molham o cruzeiro para que Deus nos mande
chuva. Seus cantos, que eu não sei de onde
viera, ressoam em minha alma, com acentos
estranhos:

O tempo estropiou. por certo, a letra desses
benditos. Mas todos eles ainda falam,
mansamente, de coisas que não são apenas
poesia. Falam em chuva, falam do pão que
consola. Falam em misericórdia também.

"Do Livro de Ana, de Ursulino Leão,
p. 104 e 105"